Pacto de Lausanne

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INTRODUÇÃO
Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.

1. O Propósito de Deus
Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.

2. A Autoridade e o Poder da Bíblia
Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.

3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo
Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se ofereceu a si mesmo como único resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e os homems. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como “o Salvador do mundo” não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.

4. A Natureza da Evangelização
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

5. A Responsabilidade Social Cristã
Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

6. A Igreja e a Evangelização
Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.

7. Cooperação na Evangelização
Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.

8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização
Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua efetividade como parte da missão da igreja.

9. Urgência da Tarefa Evangelística
Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.

10. Evangelização e Cultura
O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.

11. Educação e Liderança
Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiáticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito Espiritual
Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e postestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano. A igreja deve estar no mundo; o mundo não deve estar na igreja.

13. Liberdade e Perseguição
É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem quaisquer interferências. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que têm sido injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Nós não nos esquecemos de que Jesus nos previniu de que a perseguição é inevitável.

14. O Poder do Espírito Santo
Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O Retorno de Cristo
Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

CONCLUSÃO
Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

[Lausanne, Suíça, 1974]

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Uma Carta de Jim Elliot a seus Pais

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Jim Elliot, que morreu como mártir nas praias do Equador, a seus pais quando lhes disse que estava partindo:

“Não me surpreende que vocês fossem entristecidos com a notícia da minha ida para a América do Sul. Isso não é nada mais do que aquilo que o Senhor Jesus nos advertiu quando ele disse aos discípulos que deveriam se tornar tão apaixonados com o reino e em segui-lo de tal forma que todas as outras alianças devem se tornar como se nunca tivessem sido feitas. E ele nunca excluiu o laço familiar. Na verdade, esses amores que consideramos como mais íntimo, ele nos disse que deveriam se tornar como ódio, em comparação com os nossos desejos de defender sua causa. Não se entristeçam, então, se os seus filhos parecem abandoná-los, mas, em vez disso, alegrem-se de ver a vontade de Deus realizada com alegria. Lembrem-se como o salmista descreveu os filhos? Ele disse que eles eram como uma herança do Senhor, e que todo homem deveria ficar feliz se tivesse a sua aljava cheia deles. E do que é cheia uma aljava  senão de flechas? E para que servem as flechas se não forem para serem atiradas? Assim, com os braços fortes da oração, puxa-se a corda do arco para trás, lançando as flechas — todas elas, direto nos exércitos do Inimigo.”

‘Consagre teus filhos para levarem a mensagem gloriosa, Dê de tuas riquezas para acelerá-los em seus caminhos, Derrama a tua alma por eles em oração vitoriosa, E tudo o que gastastes, Jesus te retribuirá.’”

Do original: A Letter From Jim Elliot To His Parents

Por: Jim Elliot

Tradução: Victor Brito; Revisão: Vinicius Musselman.

OriginalUma Carta de Jim Elliot a seus Pais

História da Oração 24/7

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O Tabernáculo de Davi

O rei Davi foi um homem de “uma só coisa” (Sl 27:4). Por volta de 1.000 a.C., de coração transbordante, Davi ordenou que a Arca da Aliança fosse trazida para sua nova capital, Jerusalém, sobre os ombros dos Levitas ao som de canções e instrumentos musicais. Lá, ele a colocou dentro de uma tenda e designou 288 cantores proféticos e 4.000 músicos para ministrarem diante do Senhor que fizessem petições, agradecessem e louvassem ao Senhor dia e noite (1 Cr 15:1 – 17:27). Não havia nada parecido em toda História de Israel até aquele momento, mas foi o plano de Deus para Israel.

A Ordem Davídica da Adoração

Embora o tabernáculo fosse substituído por um templo, a ordem Davídica de adoração foi adotada e reinstituída por sete líderes subsequentes durante a história de Israel e de Judá. Cada vez que esta ordem de adoração foi restabelecida, houve, em sequência, um período de rompimento espiritual, libertação e vitória militar.

  • Salomão instruiu que a adoração no templo deveria ser conforme a ordem Davídica (2 Cr 8:14-15).
  • Josafá derrotou Moabe e Amom colocando cantores na linha de frente do exército para cantar louvores conforme a ordem Davídica (2 Cr 20:20-22, 28)
  • Joás (2 Cr 23:1–24:27).
  • Ezequias purificou, consagrou o templo e restabeleceu a ordem Davídica da adoração (2 Cr 29:1–36; 30:21).
  • Josias reinstituiu a adoração Davídica (2 Cr 35:1–27).
  • Esdras e Neemias, ao retornar da Babilônia, restabeleceram a adoração Davídica (Ed 3:10; Ne 12:28–47).

Os historiadores especulam que nos dias de Jesus, na busca de encontrar comunhão com Deus, os Essênios do deserto da Judéia restabeleceram a adoração Davídica como parte de sua vida de oração e jejum.

Início da Tradição Monástica de Oração 24/7

Por mais de mil anos, monasticismo (a prática de fazer votos de pobreza, castidade e obediência a um superior espiritual) teve uma papel fundamental no desenvolvimento da teologia e da prática na Igreja. A partir do quarto e quinto século, monges e freiras eram aceitos como parte da sociedade. O monasticismo é o berço do nascimento de “lausperene”, a oração perpétua, na era da igreja. Vamos descrever algumas das figuras chaves desta tradição.

Alexander Akimetes e os “Sleepless Ones” (Os que não dormem)

Nascido na Ásia menor e educado em Constantinopla, Alexander se tornou um oficial no exército Romano. Desafiado pelas palavras de Jesus ao jovem rico de Mateus 19:21, Akimetes vendeu suas posses e retirou-se da vida de corte para o deserto. A tradição diz que ele pôs fogo num templo pagão depois de sete anos de solidão. Após ser detido e preso, Alexander converteu o administrador da prisão e sua família, e retornou imediatamente a habitar no deserto. Pouco depois, ele teve a infelicidade de misturar-se com um bando de assaltantes. Seu zelo evangelístico não poderia ser contido, e ele converteu estes homens em devotos seguidores de Jesus. Este grupo se tornou o núcleo do seu grupo de monges. Por volta de 400 dC, ele retornou a Constantinopla com 300 a 400 monges, onde ele estabeleceu a “lausperene” em cumprimento da exortação de Paulo de orar sem cessar (1 Ts 5:17). Levados a sair de Constantinopla, os monges estabeleceram o mosteiro em Gormon, na entrada do Mar Negro. Este lugar tornou-se, então, a base do mosteiro da ordem de Acoemetae (literalmente, os que não dormem). Alexander morreu neste lugar em 430 dC, mas a influência do Acoemetae continuou. As casas foram divididas em 6 corais rotativas durante o dia, e cada próximo coral aliviava o anterior, assim, criando oração e adoração ininterrupta por vinte e quatro horas do dia.

João, o segundo abade do Acoemetae, fundou outro mosteiro no litoral leste de Bósforo, e referido por muitos, em documentos antigos, como o “grande mosteiro” e a casa mãe do Acoemetae. Durante o Império Bizantino, a biblioteca que se encontrava lá era reconhecida pela grandeza e sem dúvida foi visitado por muitos papas. O terceiro abade estabeleceu um mosteiro na capital sob o cônsul real, Stoudios, quem dedicou o novo mosteiro a João Batista. Stoudion se tornou um renomado centro de ensino e piedade, o mais importante mosteiro em Constantinopla. Stoudion continuou até 1453 quando os Turcos capturaram Constantinopla.

O impacto duradouro de Acoemetae foi a adoração e a contribuição para a liturgia da igreja. Os mosteiros, entre centenas e algumas vezes milhares, eram organizados em grupos nacionais de latinos, gregos, sírios e egípcios, e também em corais. Além de lausperene, que passou para a Igreja Ocidental com o Santo Maurício d’Agaune, eles desenvolveram o Ofício Divino – a efetivação literal do Salmo 119:164, “Sete vezes no dia, eu te louvo pela justiça dos teus juízos.” Isto se tornou parte integrante da regra beneditina das sete horas da oração, a liturgia das horas – Matinas, Laudes, Tércia, Sexta, Noa, Vésperas e Completas.

Agaunum

Por volta de 522, o abade Ambrósio chamou a atenção para um pequeno mosteiro na Suíça. Diz a lenda que por volta de 286, uma legião Tebana, sob o comando de Maurício de Valois foi enviada para reprimir uma rebelião dos gauleses no norte do império.

A caminho para a Gália, os cristãos coptas estavam acampados em Agaunum (atual Suíça), onde eles foram ordenados a sacrificar aos deuses romanos e ao Imperador pedindo por vitória. Maurício e a sua Legião Tebana recusaram. O imperador romano Maximiano ordenou que “dizimasse” a legião de sete mil: morte de um em cada dez homens. Quando Maurício e os seus homens continuaram com a recusa, uma segunda dizimação foi ordenada, seguido por outro e outro. Com o tempo, todos os sete mil cristãos egípcios foram martirizados.

Embora a veracidade da história tenha sido posta em dúvida, a lenda dos mártires em Agaunum se espalhou largamente. Entre 515-521, Sigismundo, Rei da Borgonha, generosamente fundou o mosteiro estabelecido no local do martírio para garantir seu sucesso. Em 522, o abade de Santo Maurício instituiu o lausperene conforme a tradição da Acoemetae. Corais de monges cantavam em rodízios, um coral aliviando o coral anterior, assim, continuando dia e noite. Esta prática continuou até por volta do ano 900, impactando os mosteiros por toda a França e Suíça.

Comgall e Bangor

O Mappa Mundi, o mais célebre de todos os mapas medievais, contém uma referência de um lugar no limite do mundo conhecido: Bangor, Irlanda. Por que este pequeno e distante lugar, atualmente uma cidade costeira adormecida a 24 quilômetros de Belfast, capital da Irlanda do Norte, foi tão importante nos tempos medievais?

São Patrício e Vallis Angelorum (Vale dos Anjos)

O monasticismo na Grã-Bretanha e na Irlanda desenvolveu ao longo de linhas semelhantes às dos Pais do Deserto do Oriente. A mãe de São Patrício era parente próximo de Martinho de Tours, um contemporâneo de Santo António, o pai do monasticismo. Não é nenhuma surpresa que o mesmo tipo de ascetismo, que acompanhou o estilo de vida monástica no Egito, também foi encontrado na Irlanda.

Em 433, bem no momento em que o Império Romano estava começando a ruir, São Patrício retornou à Irlanda (anteriormente foi escravizado na ilha), com visão de pregar a mensagem Cristã para os irlandeses. Outros ascetas o seguiram, Finnian, Brigid, e Ciaran, os quais estabeleceram centros monásticos por toda a ilha. Enquanto que o Cristianismo, em grande parte do império, tinha sido fundado com a supervisão de bispos sobre as cidades e centros urbanos, a Irlanda nunca foi conquistada e não possuía centros urbanos. A queda do império, portanto, teve pouco impacto, tornando-se relativamente fácil para os mosteiros se tornarem o centro de influência na sociedade irlandesa.

De acordo com o monge Anglo-Normando Jocelino do século XII, São Patrício veio para descansar em um vale às margens do Lago Belfast em uma de suas muitas viagens. Neste lugar, ele e os seus companheiros tiveram uma visão celestial. Jocelino afirma: “eles observaram o vale cheio de luz celestial, com uma multidão no céu, eles ouviram, como quem cantavam como vozes de anjos, o salmodia do coro celestial.” O lugar ficou conhecido como “Angelorum Vallis” ou o Vale dos Anjos. O famoso Mosteiro Bangor foi fundado neste mesmo lugar cerca de cem anos mais tarde; a partir deste ponto, a canção do céu alcançara à Europa.

Apresentando Comgall

Fundador de Bangor, Comgall, nasceu no Condado Antrim, Irlanda do Norte, em 517. Originalmente um soldado, logo ele fez os votos monásticos e foi educado na sua nova vida. A próxima citação sobre a vida dele está nos anais irlandeses, como um ermitão no Lago Erne. No entanto, seu governo foi tão severo que sete de seus companheiros monges morreram e ele foi convencido a sair e estabelecer uma casa em Bangor (ou Beannchar, do irlandês Horned Curve, provavelmente em referência à baía), no famoso Vale dos Anjos. Os primeiros anais irlandeses citam o ano de 558 como a data de início de Bangor.

Bangor Mor e a Salmodia Perpétua

Em Bangor, Comgall instituiu uma regra monástica rígida de oração incessante e jejum. Ao invés de afastar as pessoas, esta regra ascética atraiu os milhares. Quando Comgall morreu em 602, os anais relatam que três mil monges o tiveram como referência para receber  orientação. Bangor Mor, chamado de “o Grande Bangor” para distinguir dos seus contemporâneos britânicos, tornou-se a maior escola monástica no Ulster, e um dos três principais luzes do cristianismo céltico. Os outros foram Iona, o grande centro missionário fundado por Colomba, e Bangor no Dee, em Gales, fundado por Dinooth; as antigas Tríades galesas também confirmam as “Harmonias Perpétuas” nesta grande casa.

Ao longo do sexto século, Bangor tornou-se famoso por seu salmodia em coral. “Foi esta música que foi levado ao continente pelos Missionários de Bangor, no século seguinte” (Hamilton, Reitor da Bangor Abbey). Os serviços divinos das sete horas de oração foram realizados ao longo da existência de Bangor. No entanto, os monges foram ainda mais longe e realizaram a prática de lausperene. No século XII, Bernardo de Claraval falou de Comgall e Bangor, afirmando: “a cerimônia de ofícios divinos foi mantida por companhias, que aliviaram um ao outro em sucessão, de forma que nenhum momento do dia ou da noite houvesse um intervalo nas suas devoções.” Este canto contínuo foi antifonal, por natureza, com base no chamado e na resposta rememorativa da visão de São Patrício, mas também praticado pelas casas de São Martinho na Gália. Mais tarde, muitos desses salmos e hinos foram escritos no Antifonário de Bangor, que veio a residir no mosteiro Colombano em Bobbio, Itália.

Os Missionários de Bangor

A vida ascética de oração e jejum chamou a atenção para Bangor. No entanto, com o passar do tempo, Bangor também se tornou um lugar famoso de aprendizagem e educação. Naqueles dias havia um ditado na Europa que dizia, se um homem conhecia grego então era destinado a ser um irlandês, em grande parte devido à influência de Bangor. Mais tarde, o mosteiro tornou-se uma comunidade que enviava missionários. Até hoje, a cidade é base para as sociedades missionárias. Monges de Bangor aparecem em toda a literatura medieval como uma força para o bem.

Em 580, um monge de Bangor, chamado de Mirin, levou o cristianismo a Paisley, onde ele morreu “cheio de milagres e de santidade.” Em 590, o aquecido Colombano, um dos líderes Comgall, foi enviado a partir de Bangor com outros doze irmãos, incluindo Gall, quem plantou mosteiros em toda a Suíça. Na Borgonha, ele estabeleceu uma regra monástica rígida em Luxeuil, que refletia a de Bangor. De lá ele foi para Bobbio na Itália e estabeleceu a casa que se tornou um dos maiores e melhores mosteiros na Europa. Colombano morreu em 615, mas em 700, cem mosteiros adicionais tinham sido plantados por toda a França, Alemanha e Suíça. Outros famosos monges missionários que saíram de Bangor incluem Molua, Findchua e Luanus.

O Fim da Grandeza

A grandeza de Bangor chegou ao fim em 824 com as invasões dos Vikings saqueadores; em apenas uma invasão, 900 monges foram mortos. No século XII, embora houvesse uma ressurreição do fogo do Comgall iniciado por São Malaquias (um grande amigo de Bernardo de Claraval, que escreveu “A Vida de São Malaquias”), infelizmente nunca teve o mesmo impacto que os primórdios tições Celtas, que detiveram a maré das trevas e o colapso social, ao levar Deus a uma geração quebrada.

Cluny

Nos séculos IX e X, os vikings invasores e os colonos forjavam violentamente um novo estilo de vida na Europa. O feudalismo estava se enraizando e o modo de vida monástico foi abalado, não só pelos ataques físicos que Bangor experimentou, mas pelas consequências dos ataques, quando muitas casas foram subjugadas aos caprichos dos chefes locais. Como reação a esse movimento, a reforma surgiu de várias maneiras, uma sem dúvida, sendo o movimento reformador mais importante na Igreja do Ocidente: a ordem de Cluny.

Em 910, Guilherme o Piedoso, o Duque da Aquitânia, fundou o mosteiro de Cluny, sob os auspícios do Abade Berno, instituindo uma forma mais rigorosa da regra beneditina. Guilherme fez doações a abadia, com recursos de seu domínio inteiro, mas o mais importante ele deu liberdade a abadia em dois aspectos. Devido à doação financeira, a abadia foi cometida a mais oração e louvor perpétuo, em outras palavras, lausperene. A sua autonomia da liderança secular era também importante, assim como a abadia prestava contas diretamente a igreja em Roma.

O segundo abade, Odo, assumiu em 926. De acordo com CH Lawrence, ele era “uma encarnação viva do ideal beneditino.” Seu zelo reformista fez com que a influência do mosteiro de Cluny expandisse amplamente durante o tempo de sua liderança. Conhecido por sua independência, hospitalidade e esmolas, Cluny significativamente se afastou da regra beneditina, removendo o trabalho manual diário de um monge e substituindo-o com aumento de oração. O número de casas monásticas que viam Cluny como sua casa-mãe aumentou muito durante este período, e a influência da casa se ​​espalhou por toda a Europa.

Cluny chegou ao auge de seu poder e influência no século XII, e comandava 314 mosteiros por toda a Europa, perdendo apenas para Roma, em termos de importância no mundo cristão. Tornou-se um lugar de aprendizagem e formação para não menos que quatro papas. O rápido crescimento da comunidade em Cluny logo necessitou a construção de edifícios. Em 1089, a abadia de Cluny começou a construção sob a direção de Hugh, o sexto abade. Foi concluída em 1132 e foi considerada uma das maravilhas da Idade Média. Com mais de 170 metros de comprimento, foi o maior edifício da Europa até a construção da Basílica de São Pedro em Roma durante o século XVI. Composto por cinco naves, um nártex (ante-igreja), várias torres, e os edifícios conventuais, cobria uma área de 10 hectares. No entanto, mesmo antes desses grandes projetos arquitetônicos, é interessante notar que o declínio da espiritualidade levou ao desaparecimento final da influência de Cluny.

Conde Zinzendorf e os Moravios

Primeiros anos de Zinzendorf

A Reforma do século XVI foi tão necessária na igreja Européia que causou o fechamento de muitos mosteiros que tinham tornado mortos espiritualmente. A próxima grande campanha de oração 24/7 não apareceu até o início do século XVIII com o Conde Nicholas Ludwig Von Zinzendorf.

Zinzendorf nasceu em 1700 em uma família aristocrática, porém piedosa. Seu pai morreu quando ele tinha apenas seis semanas de idade. Portanto, o menino foi criado por sua avó, uma líder conhecida do movimento Pietista e amiga de um jovem líder estabelecido do Pietismo, padrinho de Zinzendorf, Philip Spener. Crescendo num ambiente com tanta paixão por Jesus, Zinzendorf fala de sua infância como um tempo de grande piedade: “No meu quarto ano eu comecei a buscar a Deus com sinceridade, e determinei a me tornar um verdadeiro servo de Jesus Cristo.”

A partir dos dez anos de idade, Zinzendorf foi educado na escola pietista de Halle sob o olhar atento de Augusto Francke, outro líder do Pietistas. Lá, ele formou um clube escolar, que durou por toda sua vida, A Ordem Honrosa do Grão de Mostarda. Depois de vários anos em Halle, o tio de Zinzendorf considerou o jovem conde muito Pietista e o enviou para Wittenberg para aprender jurisprudência, para que pudesse estar preparado para a vida de tribunal. Logo, o jovem conde fora aceito em vários círculos da sociedade na Europa. Ele manteve estes relacionamentos para o resto de sua vida, apesar de sua posição no tribunal de Dresden e os planos futuros para sua vida no tribunal saxônica como Secretário de Estado não se cumpririam.

Os Morávios e o Herrnhut

Em 1722, Zinzendorf comprou a fazenda Berthelsdorf de sua avó e colocou um pregador Pietista na igreja Luterana local. Naquele mesmo ano Zinzendorf entrou em contato com um pregador Morávio, Christian Davi, que convenceu o jovem conde dos sofrimentos dos protestantes perseguidos na Morávia. Estes Morávios conhecidos como os Unitas Fratrum eram os últimos dos seguidores de João Huss na Boêmia. Desde o século XVII, esses santos haviam sofrido nas mãos de sucessivos Monarcas Católicos repressivos. Zinzendorf lhes ofereceu asilo em suas terras. Christian Davi voltou para a Boêmia e trouxe muitos para se abrigar na propriedade de Zinzendorf, formando a comunidade de Herrnhut, a Vigília do Senhor. A comunidade cresceu rapidamente para aproximadamente 300 pessoas, e, devido às divisões e tensões na comunidade infantil, Zinzendorf desistiu de sua posição no tribunal e se tornou o líder da irmandade, instituindo uma nova constituição para a comunidade.

A Centenária Reunião de Oração e as Missões Subsequentes

Uma nova espiritualidade agora caracterizou a comunidade, com homens e mulheres organizados e comprometidos em pequenos grupos ou corais para encorajar uns aos outros na vida com Deus. Agosto de 1727 é visto como o Pentecostes Moraviano. Zinzendorf disse que 13 de agosto foi “o dia do derramamento do Espírito Santo sobre a congregação, foi um Pentecostes.” Dentro de duas semanas do derramamento, vinte e quatro homens e vinte e quatro mulheres se aliançaram para orar “intercessões pela hora”, ou seja, orações a cada hora do dia. Eles se comprometeram para que o fogo possa arder continuamente sobre o altar e não se apagar (Lv 6:13). O número de pessoas da comunidade empenhadas neste esforço logo aumentou para cerca de setenta. Esta reunião de oração continuaria incessantemente por mais de cem anos, e é visto por muitos como o poder espiritual que influenciou o impacto que os Morávios fizeram no mundo.

A sala de oração em Herrnhut resultou em um zelo missionário que, por pouco, não foi ultrapassada na história da igreja. A centelha inicial surgiu do encontro de Zinzendorf na Dinamarca, com os esquimós, que haviam sido convertidos pelos luteranos. O conde retornou a Herrnhut e transmitiu sua paixão de ver o evangelho pregado entre as nações. Como resultado, muitas pessoas da comunidade saíram ao mundo para pregar o evangelho, alguns até mesmo se vendendo para a escravidão, a fim de cumprir a grande comissão. Este compromisso pode ser demonstrado por uma estatística simples. Normalmente, quando se trata de missões mundiais, a laicidade protestante para uma relação missionária tem sido 5.000 por 1. Porém, com os Morávios esta proporção aumentou muito para 60 por 1. Até 1776, uns 226 missionários foram enviados pela comunidade de Herrnhut. É evidente, através do ensinamento do pai das missões modernas, William Carey, que os Morávios tiveram um profundo impacto sobre ele com relação ao zelo pela atividade missionária. É também através da mentalidade missionária dos Morávios que João Wesley veio para a fé cristã. O impacto desta pequena comunidade na Saxônia, que se comprometeu a buscar a face do Senhor dia e noite, foi verdadeiramente imensurável.

Oração 24/7 no Século XX

Em 1973, David Yonggi Cho, pastor da Igreja do Evangelho Pleno de Yoido em Seul, Coréia do Sul, iniciou o Monte de Oração, com oração dia e noite. Logo, o Monte de Oração atraía mais de um milhão de visitantes por ano, enquanto passavam retirados nas células de oração sobre o monte. Cho se comprometeu à oração incessante, à fé e ao estabelecimento de pequenas células de discipulado em sua igreja. Talvez como resultado disto, a igreja de Cho se expandiu rapidamente para se tornar a maior congregação de igreja no mundo, com atualmente mais de 780.000 membros.

Em 19 de setembro de 1999, a Casa Internacional de Oração de Kansas City, Missouri, começou uma reunião de oração, baseada em adoração, que continua desde então por 24 horas ao dia, sete dias por semana. Com uma visão semelhante à de Zinzendorf, em que o fogo no altar nunca se apagaria, nunca houve, desde esta data, um momento em que a adoração e a oração não subiu ao céu.

Ao mesmo tempo, em muitos outros lugares ao redor do mundo, Deus colocou desejos e planos para oração24/7 em diversos ministérios e nos corações de muitos líderes. Isto resultou no estabelecimento de casas de oração 24/7 e montes de oração em todos os continentes da terra.

Fonte: FHOP

Tributo a Kathryn Kuhlman por David Wilkerson

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Tributo a Kathryn Kuhlman por David Wilkerson

Tributo a Kathryn Kuhlman por David Wilkerson

Penso que agora todos a conhecem. Durante quase um quarto de séculos, ela foi instrumento de Deus que permitiu que a cura e a restauração fluíssem na vida de milhares de pessoas.
De um lado amada e admirada por milhões;de outro, difamada pelos que desprezam a cura divina ou por aqueles que não fizeram esforço algum para compreendê-la ou o que representa. Eu porém, a vi nos bastidores, bem antes de encarar uma multidão e expressar sua fé ilimitada em Deus, e a observei cuidadosamente, sempre dizia:
– Querido Deus, a menos que me unjas e me toques, nada sou. Não tenho valor quanta a natureza da carne se põe no caminho. Receba toda a glória; caso contrário não poderei ministrar. Não vou me mover sem ti.

E entrava em cena. Era surpreendente, quase inacreditável. O que dizia não era muito, porque era sempre tão claro e simples como o estilo de pregação usado pelo próprio Cristo. Eu não compreendia, nem ela, mas, quando o Espírito começava a se mover em sua vida – e via-se repentinamente compelida a desafiar o poder de satanás em nome de Jesus-, milagres começavam a acontecer. Pessoas de toda parte, até os mais calmos e circunspectos, caíam prostrados ao chão. Católicos e protestantes levantavam as mãos e louvavam a Deus juntos – Tudo com ordem e decência. O poder do Espírito Santo alcançava a plateia como ondas do oceano. Os profissionais da televisão logo perceberam não se tratar de uma impostora ou fanática. Pessoas que eles conheciam tinham sido ajudadas por esse ministério. Sua inteligência e sabedoria divinas não tinham igual.

Não era rica,nem se apegava ao materialismo. Eu sei! Ela levantou pessoalmente uma oferta ao Desafio Jovem ( Global Teen Challenge) e a entregou em prol de uma instalação em nossa fazenda, cujo objetivo era alcançar e reabilitar dependentes químicos. Com suas orações,recursos foram doados para construção de igrejas em países subdesenvolvidos ao redor do mundo. Não só patrocinou a educação de crianças carentes como de jovens talentosos, alvos de seu amor e preocupação. Andou comigo pelos guetos de Nova York e impôs as mãos amorosas sobre viciados. Nunca titubeou ou recuou -sua preocupação era genuína. Por que este tributo a ela? Porque o Espírito Santo me ordenou que o fizesse! Ela nada me deveu, e a ela nada peço, a não ser o mesmo amor e respeito que me mostrou durante anos. Quase sempre prestamos homenagem somente aos mortos.( a srª Kuhlman ainda estava viva). Agora então, a uma mulher grande mulher de Deus, que tão profundamente afetou minha vida e a de milhões de pessoas, dizemos: Nós a amamos em nome de Cristo!

A respeito de Kathryn Kuhlman,a história dirá: sua vida e morte deram glória a Deus.

David Wilkerson, Nada é impossível, ed. Vida, prefácio.

Dica do meu amigo Marcondes.

Vocês São Uma Geração Perigosa

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Por Melody Green

Dica do amigo Ezequiel Netto.

Você já assistiu a um filme em cujo roteiro, o tempo inteiro, estão tentando matar alguém – só que essa pessoa não percebe que está sendo perseguida? Coisas estranhas acontecem, uma após a outra: a vítima escapa por pouco, pensa que foi apenas um acidente; uma explosão quase a atinge, e assim vai. O espectador sabe o que está acontecendo. Espera ansiosamente que a pessoa logo perceba que estão tentando eliminá-la. Que é um alvo para o inimigo.

Entretanto é necessário que transcorra mais da metade do filme para que o “alvo” se perceba em perigo. Finalmente, quando a “ficha cai”, ele começa a ficar esperto. A fugir do perigo. A defender-se. A driblar os tiros. A planejar contra-ataques. A ganhar.

Porém, mesmo depois de descobrir que é um alvo, geralmente é só no finalzinho do filme que consegue compreender POR QUE está sendo perseguido, POR QUE é um alvo. Finalmente, percebe que é algo em seu poder, ou algo que sabe… ou, talvez, simplesmente por ser quem é… que faz com que seja tão importante sua eliminação pelo inimigo.

É exatamente isso que acontece com a sua geração.

Às vezes, é necessário reconhecer a intensidade do ataque do inimigo para poder perceber o tamanho da ameaça que você representa –  quão perigosos você e sua geração realmente são.

Sua geração é uma enorme ameaça ao inimigo. Por quê? Por causa do tamanho do chamado de Deus sobre suas vidas. Por causa da tremenda e intensa unção que Deus há de colocar sobre vocês, assim que reconhecerem QUEM são, de fato, nele. Sua geração não se parece com nenhuma outra que tenha vivido até agora. Sobre ela está a unção dos últimos dias – que cura os doentes, levanta os mortos, e introduz multidões no Reino através do seu testemunho e ministério. Há um poderoso chamado sobre toda sua geração.

É por isso que o inimigo deseja eliminar sua vida. É por isso que tem preparado tantas armadilhas para você.

Pense sobre isso.

Em primeiro lugar, há as drogas. Muitos tipos de drogas. Até algumas gerações atrás, havia somente erva (maconha) e ácido (LSD), além de algumas substâncias mais fortes. Hoje existem muito mais variedades de drogas. Além da maior diversidade, são mais fortes do que as anteriores – e mais fáceis de serem obtidas. Quem conseguiria cumprir o destino de sua vida com uma mente confusa e embotada?

Depois, tem o problema do sexo. Bem, sempre existiu o sexo. Mas agora com a AIDS e as várias DST (doenças sexualmente transmissíveis), você pode morrer como conseqüência de praticar o sexo – mesmo que seja uma só vez. É impossível cumprir o seu destino se estiver doente – ou morto.

Existe muito abuso sexual também. Uma grande porcentagem de vocês já foi abusada sexualmente, estuprada, molestada. O que antes acontecia de vez em quando agora acontece o tempo todo – e a maior parte disso se passa aí mesmo no seu lar.  Pai, irmãos, irmãs, parentes… ou outra pessoa em quem você achava que podia confiar estão entre aqueles que provocam tais abusos. Existe muito mais abuso físico e emocional também – coisas que o degradam e o fazem sentir como se fosse nada, reduzido a zero. Um ninguém. Como quem já morreu. Como se estivesse desistindo antes mesmo de começar.

Todas essas coisas ferem o seu coração e podem arruinar sua vida caso você decida ficar por conta própria e nunca se entregar para Jesus. É difícil pensar sobre cumprir o seu destino quando está lidando com tanta dor no coração, tanto desespero.

E, para dar o toque final, o inimigo tem garantido que esta geração receba sua dose diária de violência, maldade e indiferença. Os menores, mais fracos e menos atraentes ou inteligentes tornam-se as maiores vítimas. O inimigo tenta implantar a idéia de que não há problema em zombar ou não se importar quando outra pessoa está machucada – ou mesmo quando você próprio for ferido. É só agir como se não se importasse. E logo você acaba acreditando que realmente não se importa.

Tudo faz parte de um grande, horrível ciclo.

Há muito mais motivo hoje para se irar, ficar amargurado, confuso, para sentir-se traído – e há tantas mensagens lá fora tentando convencê-lo a endurecer seu coração, a fazer parte de gangues mais duronas, a adquirir armas maiores, a tomar drogas mais fortes, a ter mais sexo – qualquer coisa para tornar seu coração e sua mente ainda mais insensíveis do que já estão, o anestésico que oculta a profundidade da dor. Afinal, a realidade é tão insuportável. O inimigo está dizendo a alguns de vocês para aliviarem um pouco da sua dor emocional machucando outros, ou até mesmo causando genuína dor física em si mesmos. Alguns de vocês sabem exatamente do que estou falando.

E, depois, há o maior de todos. O maior ataque que já houve sobre uma geração.

Você sabia que o inimigo considera sua geração tão perigosa que provavelmente tentou até matar você antes de nascer? Se você está vivo, lendo este artigo agora – e tiver menos que vinte e cinco anos – você é um sobrevivente da maior guerra na história da humanidade. É a guerra do aborto. Só nos Estados Unidos, mais de vinte milhões da sua geração foram mortos antes de verem a luz do dia. Pense nos irmãos, irmãs, primos e bons amigos que você poderia ter se não fosse esse método de eliminar vidas indesejadas. Os números são aterradores, e a guerra do aborto continua sem trégua até hoje. Alguns de vocês até já evitaram a paternidade ou a maternidade dessa forma – o que provavelmente os encheu da sensação de culpa. Quem pode cumprir o seu destino quando está cheio de culpa?

Você acha que tudo isso estaria acontecendo se sua geração não fosse uma ameaça tão grande ao inimigo? Tem de haver alguma coisa sobre vocês que faz Satanás odiá-los tanto, que o faz ter tanto medo de que sobrevivam, de que tenham uma mente sadia e de que cumpram seu destino em Deus. E é simplesmente isto:

Vocês são uma geração escolhida. Escolhida por Deus para fazer grandes proezas no nome dele.

Satanás sabe que se não conseguir aprisioná-lo em suas garras, certamente você se virará contra ele com intensa vingança. Ele sabe que há dentro de você um cuidado que Deus lhe deu em favor dos fracos e perdidos. Que você tem um forte senso de justiça e integridade. Que quando você for plenamente conquistado pelo coração de Deus, sua vida fará estragos arrasadores ao reino inimigo. É por isso que o inimigo tem tentado eliminar você o quanto antes. E se não puder eliminá-lo, ele vai querer arruiná-lo de alguma forma – ou levá-lo a fazer coisas tão horríveis que achará que Deus nunca o perdoaria. Ou que jamais o usaria. Que jamais o aceitaria. Tudo isso faz parte de uma MENTIRA descarada.

Nunca é tarde demais para voltar-se para Jesus. Nunca é tarde demais para pedir perdão. Nunca é tarde demais para retribuir ao inimigo tudo que fez contra você – e tudo que o levou a fazer contra outros. Enquanto tiver fôlego de vida, você pode usá-lo para invocar o nome do Senhor. Ele certamente virá e o salvará.

De fato, as mentiras do inimigo já foram expostas. Você não precisa ser destruído. Pelo contrário, se quiser, você pode fazer coisas incríveis para Deus. As coisas difíceis pelas quais tem passado, até as coisas erradas ou malvadas que praticou, todas elas contribuirão para lhe dar um coração maior em favor daqueles que ainda estão emaranhados na teia de Satanás. Você vai poder compreender por que fizeram algumas das coisas que praticaram. Também vai poder lhes dar esperança. Você terá grande fé que suas vidas podem ser viradas radicalmente em direção a Deus, pois foi isso que aconteceu com você.

O que Satanás planejou para o mal, Deus usará para o bem, se você o deixar.

Já é tempo de sua geração dar a Satanás a paga devida. É por isso que é imperativo que você ande com Deus. Que seja servo DELE e não servo do inimigo. Quando anda com Deus, você não só receberá o que ele tem para sua vida, mas também uma porção de tudo que tem reservado para sua geração – para este tempo e momento da história.

O mundo será abalado quando vir a sua geração se movendo no poder do Espírito Santo. Quando virem sua compaixão e amor – e o favor que Deus lhes deu.

A unção e o chamado de Deus sobre sua geração são coisas que Satanás não quer que você descubra. Jesus está mais interessado que você ande dentro do seu destino do que você mesmo. Ele está comprometido com você. Ele fará com que seu destino se cumpra. Ele o curará. Apenas segure na mão dele e peça a sua graça, misericórdia e perdão.

Talvez você se sinta indigno. Mas todos nós o somos, não é? É só pela graça de Deus que qualquer um pode fazer algo digno. Se você não está andando com Deus, é tempo de correr para os braços dele. Não procure nenhum atalho. Só CORRA a ele e deixe que ele o lave e purifique.

É tempo de deixar o passado para trás. Reconheça que é um alvo do inimigo. Fique esperto. Drible os tiros. Ache uma estratégia. E dê a largada.

Pare de fazer o jogo do inimigo. Vire o jogo contra ele. Você é perigoso. Você é uma ameaça ao seu plano maligno. E, com Jesus, você vai vencer. Você pode perder uma batalha ou duas, pelo caminho. Mas, no fim, você vai ganhar de goleada.

Vocês são uma geração perigosa. Deus vai ajudá-los a superar o inimigo. Vocês só precisam decidir que querem.

Melody Green é viúva de Keith Green, um cantor judeu que se converteu com 21 anos de idade e deixou uma vida de drogas e frustração para servir integralmente ao Senhor e buscar os perdidos. Juntos fundaram o Last Day Ministries (Ministério dos Últimos Dias). Keith morreu num acidente de avião em 1982, com 28 anos de idade, mas o ministério continua com Melody. Produzem uma revista, distribuem literaturas, CDs e mensagens gravadas, batalham contra o aborto e ajudam a recuperar e restaurar os perdidos. Para mais informações, acesse o site do ministério: http://www.lastdayministries.org. 

Copyright: 2003 Todos os direitos autorais do artigo acima pertencem a Last Days Ministries (Ministério dos Últimos Dias);
Endereço:  Box 40, Lindale, Texas 75771-0040 EUA.
Publicado com permissão.

Fonte: http://www.revistaimpacto.com.br/voces-sao-uma-geracao-perigosa

Falta-te uma coisa …

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“Eu poderia ter feito mais. Não fiz o suficiente. Vocês não têm idéia de quanto dinheiro eu desperdicei… ” – lamenta o empresário alemão Oskar Schindler, ao ser homenageado pelos judeus cujas vidas salvou durante o Holocausto. Ao olhar seu dedo, pensa em quantas vidas poderiam ter sido salvas se ele tivesse se desfeito daquele anel de ouro em momentos de gritante necessidade.

Esta emocionante cena marca o final do filme “A Lista de Schindler“, uma obra a respeito de um homem que dedicou seu empreendimento industrial e quase a totalidade de seus bens para salvar mais de 1000 vidas durante a Segunda Guerra Mundial. Incrível pensar que um homem que fez tanto, sacrificando e arriscando sua vida pelo bem estar de tanta gente, tenha sido tomado por uma crise de consciência, não por não ter feito nada, mas por pensar não ter feito o suficiente…

Fico apavorado em pensar que muitos de nós, obreiros do Reino, seremos tomados pelo mesmo sentimento naquele dia em nossos olhos se abrirão para a Eternidade e nossas obras serão provadas pelo fogo

Na era dos megatemplos, tenho a mais profunda convicção de que o chamado do jovem rico é o chamado da Igreja:

E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. (Mc 10:21 – negrito acrescentado)

Não digo com isso que o Senhor esteja chamando a todos indivíduos a venderem a totalidade de suas posses e seguí-lo, transformando-os em uma espécie de versão pós-moderna de Francisco de Assis.1 Mas entendo que este se trata do chamado coletivo da Igreja como Corpo.

O chamado a um estilo de vida alternativo – vender tudo e doar aos pobres – foi um chamado específico ao jovem rico porque Cristo discerniu que as riquezas eram a fortaleza espiritual na vida deste que, infelizmente, nunca se tornou mais do que um mero candidato a discípulo. De acordo com as Escrituras, onde está nosso tesouro, também estará nosso coração. Se nos dias atuais, como Igreja, gastamos a maioria de nossos recursos financiando nossas próprias tradições (salários, edifícios, programas, etc), onde estará então nosso coração, coletivamente falando? Diante de tal cenário, não seriam as finanças uma fortaleza espiritual na vida da Igreja de nossos dias também?

Paulo, em sua sabedoria apostólica, nos ensina que todos os cristão genuínos edificam sobre um mesmo Fundamento, que é Cristo. Entretanto, há diferentes maneiras de se edificar sobre este Fundamento: com obras de ouro, prata e pedras preciosas, que permanecerão por toda a eternidade, ou com obras de madeira, feno e palha, que serão queimadas por fogo. Observe que a passagem não fala a respeito da perda de nossa salvação, mas a respeito da manifestação da pureza, da importância e da consistência de nossas obras.

O fogo a que Paulo se refere não é o do inferno, mas o Portal para a Eternidade pelo qual teremos que passar antes de entrarmos no Paraíso. Quanto de nossas financas, coletivamente falando, tem sido investidas em obras de ouro, prata e pedras preciosas (no envio de obreiros missionários, no sustento dos pobres, orfãos e viuvas) e quanto dinheiro tem sido gasto em obras terrenas e supérfluas que não transicionarão à Eternidade quando passarem pelo fogo?

Conclusão

O modo como empregamos os recursos financeiros da Igreja local identifica nossas prioridades e define como utilizamos os demais dons que Deus proveu à Comunidade Divina (tempo e pessoas). Por isso somos confrontados, em nossa geração, por uma voz profética que nos desafia a escolher entre uma prática religiosa ensimesmada, que gira em torno de nossa própria existência institucional, ou um estilo de vida comunitário simples, profético e missional.

Já aprendemos e, há 500 anos atrás reaprendemos, que somos salvos pela nossa fé, e não por obras. Mas o amor sacrificial, na forma do cuidado aos necessitados, será a adaga de Deus para apunhalar a Mamon e destronar essa potestade, não somente de nossas vidas individuais, mas também de nossa vida comunitária, como Igreja. Toda e qualquer tentativa de reforma em nossos dias que ignore esta etapa é parcial, na melhor das hipóteses, ou meramente cosmética, na pior delas. Para o escândalo dos pregadores da graça barata, Deus colocou o cuidado ao pobre, ao orfão, à viúva e aos demais necessitados em nosso meio no cerne da prática da verdadeira religião – fator este que parece ser, ao lado da santificação, uma das diferenças visíveis entre ovelhas e bodes no final dos tempos. Justiça social no Reino não se trata de Teologia da Libertação. Trata-se do pulsar do coração de Deus pelos necessitados.2

O desapego coletivo aos elementos materiais de nossas tradições será um dos aferidores de medidas do chamado profético de nossa geração. E receio que, assim como o jovem rico, muitos entre nós que amam ao Senhor – homens e mulheres de caráter íntegro e versados nas Escrituras – se escandalizarão com este chamado e voltarão à prática de sua velha rotina religiosa: belas reuniões, belos estudos, belos cânticos em suas belas basílicas, porém…

Falta-te uma coisa

Notas

[1] O estilo de vida da Igreja neotestamentária não era o comunismo. Havia propriedade privada entre os crentes, mas estas eram colocadas à disposição do Reino para servir os mais necessitados. Ao longo de toda a Sagrada Escritura, AT e NT, observamos que Deus não eliminou o conceito e a prática da propriedade privada, mas promeve a igualdade social no Reino através do chamado dos ricos para aliviar o sofrimento dos pobres.
[2] Para que tenhamos uma idéia de como o Senhor leva a sério esta questão, muitos pensam que Sodoma foi destruída pela prática da homossexualidade, mas esta não foi a principal iniquidade desta cidade (ver Ezequiel 16:49).


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