Pacto de Lausanne

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INTRODUÇÃO
Nós, membros da Igreja de Jesus Cristo, procedentes de mais de 150 nações, participantes do Congresso Internacional de Evangelização Mundial, em Lausanne, louvamos a Deus por sua grande salvação, e regozijamo-nos com a comunhão que, por graça dele mesmo, podemos ter com ele e uns com os outros. Estamos profundamente tocados pelo que Deus vem fazendo em nossos dias, movidos ao arrependimento por nossos fracassos e desafiados pela tarefa inacabada da evangelização. Acreditamos que o evangelho são as boas novas de Deus para todo o mundo, e por sua graça, decidimo-nos a obedecer ao mandamento de Cristo de proclamá-lo a toda a humanidade e fazer discípulos de todas as nações. Desejamos, portanto, reafirmar a nossa fé e a nossa resolução, e tornar público o nosso pacto.

1. O Propósito de Deus
Afirmamos a nossa crença no único Deus eterno, Criador e Senhor do Mundo, Pai, Filho e Espírito Santo, que governa todas as coisas segundo o propósito da sua vontade. Ele tem chamado do mundo um povo para si, enviando-o novamente ao mundo como seus servos e testemunhas, para estender o seu reino, edificar o corpo de Cristo, e também para a glória do seu nome. Confessamos, envergonhados, que muitas vezes negamos o nosso chamado e falhamos em nossa missão, em razão de nos termos conformado ao mundo ou nos termos isolado demasiadamente. Contudo, regozijamo-nos com o fato de que, mesmo transportado em vasos de barro, o evangelho continua sendo um tesouro precioso. À tarefa de tornar esse tesouro conhecido, no poder do Espírito Santo, desejamos dedicar-nos novamente.

2. A Autoridade e o Poder da Bíblia
Afirmamos a inspiração divina, a veracidade e autoridade das Escrituras tanto do Velho como do Novo Testamento, em sua totalidade, como única Palavra de Deus escrita, sem erro em tudo o que ela afirma, e a única regra infalível de fé e prática. Também afirmamos o poder da Palavra de Deus para cumprir o seu propósito de salvação. A mensagem da Bíblia destina-se a toda a humanidade, pois a revelação de Deus em Cristo e na Escritura é imutável. Através dela o Espírito Santo fala ainda hoje. Ele ilumina as mentes do povo de Deus em toda cultura, de modo a perceberem a sua verdade, de maneira sempre nova, com os próprios olhos, e assim revela a toda a igreja uma porção cada vez maior da multiforme sabedoria de Deus.

3. A Unicidade e a Universalidade de Cristo
Afirmamos que há um só Salvador e um só evangelho, embora exista uma ampla variedade de maneiras de se realizar a obra de evangelização. Reconhecemos que todos os homens têm algum conhecimento de Deus através da revelação geral de Deus na natureza. Mas negamos que tal conhecimento possa salvar, pois os homens, por sua injustiça, suprimem a verdade. Também rejeitamos, como depreciativo de Cristo e do evangelho, todo e qualquer tipo de sincretismo ou de diálogo cujo pressuposto seja o de que Cristo fala igualmente através de todas as religiões e ideologias. Jesus Cristo, sendo ele próprio o único Deus-homem, que se ofereceu a si mesmo como único resgate pelos pecadores, é o único mediador entre Deus e os homems. Não existe nenhum outro nome pelo qual importa que sejamos salvos. Todos os homens estão perecendo por causa do pecado, mas Deus ama todos os homens, desejando que nenhum pereça, mas que todos se arrependam. Entretanto, os que rejeitam Cristo repudiam o gozo da salvação e condenam-se à separação eterna de Deus. Proclamar Jesus como “o Salvador do mundo” não é afirmar que todos os homens, automaticamente, ou ao final de tudo, serão salvos; e muito menos que todas as religiões ofereçam salvação em Cristo. Trata-se antes de proclamar o amor de Deus por um mundo de pecadores e convidar todos os homens a se entregarem a ele como Salvador e Senhor no sincero compromisso pessoal de arrependimento e fé. Jesus Cristo foi exaltado sobre todo e qualquer nome. Anelamos pelo dia em que todo joelho se dobrará diante dele e toda língua o confessará como Senhor.

4. A Natureza da Evangelização
Evangelizar é difundir as boas novas de que Jesus Cristo morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que, como Senhor e Rei, ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêem. A nossa presença cristã no mundo é indispensável à evangelização, e o mesmo se dá com aquele tipo de diálogo cujo propósito é ouvir com sensibilidade, a fim de compreender. Mas a evangelização propriamente dita é a proclamação do Cristo bíblico e histórico como Salvador e Senhor, com o intuito de persuadir as pessoas a vir a ele pessoalmente e, assim, se reconciliarem com Deus. Ao fazermos o convite do evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que queiram segui-lo e negarem-se a si mesmos, tomarem a cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. Os resultados da evangelização incluem a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo.

5. A Responsabilidade Social Cristã
Afirmamos que Deus é o Criador e o Juiz de todos os homens. Portanto, devemos partilhar o seu interesse pela justiça e pela conciliação em toda a sociedade humana, e pela libertação dos homens de todo tipo de opressão. Porque a humanidade foi feita à imagem de Deus, toda pessoa, sem distinção de raça, religião, cor, cultura, classe social, sexo ou idade possui uma dignidade intrínseca em razão da qual deve ser respeitada e servida, e não explorada. Aqui também nos arrependemos de nossa negligência e de termos algumas vezes considerado a evangelização e a atividade social mutuamente exclusivas. Embora a reconciliação com o homem não seja reconciliação com Deus, nem a ação social evangelização, nem a libertação política salvação, afirmamos que a evangelização e o envolvimento sócio-político são ambos parte do nosso dever cristão. Pois ambos são necessárias expressões de nossas doutrinas acerca de Deus e do homem, de nosso amor por nosso próximo e de nossa obediência a Jesus Cristo. A mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.

6. A Igreja e a Evangelização
Afirmamos que Cristo envia o seu povo redimido ao mundo assim como o Pai o enviou, e que isso requer uma penetração de igual modo profunda e sacrificial. Precisamos deixar os nossos guetos eclesiásticos e penetrar na sociedade não-cristã. Na missão de serviço sacrificial da igreja a evangelização é primordial. A evangelização mundial requer que a igreja inteira leve o evangelho integral ao mundo todo. A igreja ocupa o ponto central do propósito divino para com o mundo, e é o agente que ele promoveu para difundir o evangelho. Mas uma igreja que pregue a Cruz deve, ela própria, ser marcada pela Cruz. Ela torna-se uma pedra de tropeço para a evangelização quando trai o evangelho ou quando lhe falta uma fé viva em Deus, um amor genuíno pelas pessoas, ou uma honestidade escrupulosa em todas as coisas, inclusive em promoção e finanças. A igreja é antes a comunidade do povo de Deus do que uma instituição, e não pode ser identificada com qualquer cultura em particular, nem com qualquer sistema social ou político, nem com ideologias humanas.

7. Cooperação na Evangelização
Afirmamos que é propósito de Deus haver na igreja uma unidade visível de pensamento quanto à verdade. A evangelização também nos convoca à unidade, porque o ser um só corpo reforça o nosso testemunho, assim como a nossa desunião enfraquece o nosso evangelho de reconciliação. Reconhecemos, entretanto, que a unidade organizacional pode tomar muitas formas e não ativa necessariamente a evangelização. Contudo, nós, que partilhamos a mesma fé bíblica, devemos estar intimamente unidos na comunhão uns com os outros, nas obras e no testemunho. Confessamos que o nosso testemunho, algumas vezes, tem sido manchado por pecaminoso individualismo e desnecessária duplicação de esforço. Empenhamo-nos por encontrar uma unidade mais profunda na verdade, na adoração, na santidade e na missão. Instamos para que se apresse o desenvolvimento de uma cooperação regional e funcional para maior amplitude da missão da igreja, para o planejamento estratégico, para o encorajamento mútuo, e para o compartilhamento de recursos e de experiências.

8. Esforço Conjugado de Igrejas na Evangelização
Regozijamo-nos com o alvorecer de uma nova era missionária. O papel dominante das missões ocidentais está desaparecendo rapidamente. Deus está levantando das igrejas mais jovens um grande e novo recurso para a evangelização mundial, demonstrando assim que a responsabilidade de evangelizar pertence a todo o corpo de Cristo. Todas as igrejas, portando, devem perguntar a Deus, e a si próprias, o que deveriam estar fazendo tanto para alcançar suas próprias áreas como para enviar missionários a outras partes do mundo. Deve ser permanente o processo de reavaliação da nossa responsabilidade e atuação missionária. Assim, haverá um crescente esforço conjugado pelas igrejas, o que revelará com maior clareza o caráter universal da igreja de Cristo. Também agradecemos a Deus pela existência de instituições que laboram na tradução da Bíblia, na educação teológica, no uso dos meios de comunicação de massa, na literatura cristã, na evangelização, em missões, no avivamento de igrejas e em outros campos especializados. Elas também devem empenhar-se em constante auto-exame que as levem a uma avaliação correta de sua efetividade como parte da missão da igreja.

9. Urgência da Tarefa Evangelística
Mais de dois bilhões e setecentos milhões de pessoas, ou seja, mais de dois terços da humanidade, ainda estão por serem evangelizadas. Causa-nos vergonha ver tanta gente esquecida; continua sendo uma reprimenda para nós e para toda a igreja. Existe agora, entretanto, em muitas partes do mundo, uma receptividade sem precedentes ao Senhor Jesus Cristo. Estamos convencidos de que esta é a ocasião para que as igrejas e as instituições para-eclesiásticas orem com seriedade pela salvação dos não-alcançados e se lancem em novos esforços para realizarem a evangelização mundial. A redução de missionários estrangeiros e de dinheiro num país evangelizado algumas vezes talvez seja necessária para facilitar o crescimento da igreja nacional em autonomia, e para liberar recursos para áreas ainda não evangelizadas. Deve haver um fluxo cada vez mais livre de missionários entre os seis continentes num espírito de abnegação e prontidão em servir. O alvo deve ser o de conseguir por todos os meios possíveis e no menor espaço de tempo, que toda pessoa tenha a oportunidade de ouvir, de compreender e de receber as boas novas. Não podemos esperar atingir esse alvo sem sacrifício. Todos nós estamos chocados com a pobreza de milhões de pessoas, e conturbados pelas injustiças que a provocam. Aqueles dentre nós que vivem em meio à opulência aceitam como obrigação sua desenvolver um estilo de vida simples a fim de contribuir mais generosamente tanto para aliviar os necessitados como para a evangelização deles.

10. Evangelização e Cultura
O desenvolvimento de estratégias para a evangelização mundial requer metodologia nova e criativa. Com a bênção de Deus, o resultado será o surgimento de igrejas profundamente enraizadas em Cristo e estreitamente relacionadas com a cultura local. A cultura deve sempre ser julgada e provada pelas Escrituras. Porque o homem é criatura de Deus, parte de sua cultura é rica em beleza e em bondade; porque ele experimentou a queda, toda a sua cultura está manchada pelo pecado, e parte dela é demoníaca. O evangelho não pressupõe a superioridade de uma cultura sobre a outra, mas avalia todas elas segundo o seu próprio critério de verdade e justiça, e insiste na aceitação de valores morais absolutos, em todas as culturas. As missões muitas vezes têm exportado, juntamente com o evangelho, uma cultura estranha, e as igrejas, por vezes, têm ficado submissas aos ditames de uma determinada cultura, em vez de às Escrituras. Os evangelistas de Cristo têm de, humildemente, procurar esvaziar-se de tudo, exceto de sua autenticidade pessoal, a fim de se tornarem servos dos outros, e as igrejas têm de procurar transformar e enriquecer a cultura; tudo para a glória de Deus.

11. Educação e Liderança
Confessamos que às vezes temos nos empenhado em conseguir o crescimento numérico da igreja em detrimento do espiritual, divorciando a evangelização da edificação dos crentes. Também reconhecemos que algumas de nossas missões têm sido muito remissas em treinar e incentivar líderes nacionais a assumirem suas justas responsabilidades. Contudo, apoiamos integralmente os princípios que regem a formação de uma igreja de fato nacional, e ardentemente desejamos que toda a igreja tenha líderes nacionais que manifestem um estilo cristão de liderança não em termos de domínio, mas de serviço. Reconhecemos que há uma grande necessidade de desenvolver a educação teológica, especialmente para líderes eclesiáticos. Em toda nação e em toda cultura deve haver um eficiente programa de treinamento para pastores e leigos em doutrina, em discipulado, em evangelização, em edificação e em serviço. Este treinamento não deve depender de uma metodologia estereotipada, mas deve se desenvolver a partir de iniciativas locais criativas, de acordo com os padrões bíblicos.

12. Conflito Espiritual
Cremos que estamos empenhados num permanente conflito espiritual com os principados e postestades do mal, que querem destruir a igreja e frustrar sua tarefa de evangelização mundial. Sabemos da necessidade de nos revestirmos da armadura de Deus e combater esta batalha com as armas espirituais da verdade e da oração. Pois percebemos a atividade no nosso inimigo, não somente nas falsas ideologias fora da igreja, mas também dentro dela em falsos evangelhos que torcem as Escrituras e colocam o homem no lugar de Deus. Precisamos tanto de vigilância como de discernimento para salvaguardar o evangelho bíblico. Reconhecemos que nós mesmos não somos imunes à aceitação do mundanismo em nossos atos e ações, ou seja, ao perigo de capitularmos ao secularismo. Por exemplo, embora tendo à nossa disposição pesquisas bem preparadas, valiosas, sobre o crescimento da igreja, tanto no sentido numérico como espiritual, às vezes não as temos utilizado. Por outro lado, por vezes tem acontecido que, na ânsia de conseguir resultados para o evangelho, temos comprometido a nossa mensagem, temos manipulado os nossos ouvintes com técnicas de pressão, e temos estado excessivamente preocupados com as estatísticas, e até mesmo utilizando-as de forma desonesta. Tudo isto é mundano. A igreja deve estar no mundo; o mundo não deve estar na igreja.

13. Liberdade e Perseguição
É dever de toda nação, dever que foi estabelecido por Deus, assegurar condições de paz, de justiça e de liberdade em que a igreja possa obedecer a Deus, servir a Cristo Senhor e pregar o evangelho sem quaisquer interferências. Portanto, oramos pelos líderes das nações e com eles instamos para que garantam a liberdade de pensamento e de consciência, e a liberdade de praticar e propagar a religião, de acordo com a vontade de Deus, e com o que vem expresso na Declaração Universal do Direitos Humanos. Também expressamos nossa profunda preocupação com todos os que têm sido injustamente encarcerados, especialmente com nossos irmãos que estão sofrendo por causa do seu testemunho do Senhor Jesus. Prometemos orar e trabalhar pela libertação deles. Ao mesmo tempo, recusamo-nos a ser intimidados por sua situação. Com a ajuda de Deus, nós também procuraremos nos opor a toda injustiça e permanecer fiéis ao evangelho, seja a que custo for. Nós não nos esquecemos de que Jesus nos previniu de que a perseguição é inevitável.

14. O Poder do Espírito Santo
Cremos no poder do Espírito Santo. O pai enviou o seu Espírito para dar testemunho do seu Filho. Sem o testemunho dele o nosso seria em vão. Convicção de pecado, fé em Cristo, novo nascimento cristão, é tudo obra dele. De mais a mais, o Espírito Santo é um Espírito missionário, de maneira que a evangelização deve surgir espontaneamente numa igreja cheia do Espírito. A igreja que não é missionária contradiz a si mesma e debela o Espírito. A evangelização mundial só se tornará realidade quando o Espírito renovar a igreja na verdade, na sabedoria, na fé, na santidade, no amor e no poder. Portanto, instamos com todos os cristãos para que orem pedindo pela visita do soberano Espírito de Deus, a fim de que o seu fruto todo apareça em todo o seu povo, e que todos os seus dons enriqueçam o corpo de Cristo. Só então a igreja inteira se tornará um instrumento adequado em Suas mãos, para que toda a terra ouça a Sua voz.

15. O Retorno de Cristo
Cremos que Jesus Cristo voltará pessoal e visivelmente, em poder e glória, para consumar a salvação e o juízo. Esta promessa de sua vinda é um estímulo ainda maior à evangelização, pois lembramo-nos de que ele disse que o evangelho deve ser primeiramente pregado a todas as nações. Acreditamos que o período que vai desde a ascensão de Cristo até o seu retorno será preenchido com a missão do povo de Deus, que não pode parar esta obra antes do Fim. Também nos lembramos da sua advertência de que falsos cristos e falsos profetas apareceriam como precursores do Anticristo. Portanto, rejeitamos como sendo apenas um sonho da vaidade humana a idéia de que o homem possa algum dia construir uma utopia na terra. A nossa confiança cristã é a de que Deus aperfeiçoará o seu reino, e aguardamos ansiosamente esse dia, e o novo céu e a nova terra em que a justiça habitará e Deus reinará para sempre. Enquanto isso, rededicamo-nos ao serviço de Cristo e dos homens em alegre submissão à sua autoridade sobre a totalidade de nossas vidas.

CONCLUSÃO
Portanto, à luz desta nossa fé e resolução, firmamos um pacto solene com Deus, bem como uns com os outros, de orar, planejar e trabalhar juntos pela evangelização de todo o mundo. Instamos com outros para que se juntem a nós. Que Deus nos ajude por sua graça e para a sua glória a sermos fiéis a este Pacto! Amém. Aleluia!

[Lausanne, Suíça, 1974]

Uma Carta de Jim Elliot a seus Pais

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Jim Elliot, que morreu como mártir nas praias do Equador, a seus pais quando lhes disse que estava partindo:

“Não me surpreende que vocês fossem entristecidos com a notícia da minha ida para a América do Sul. Isso não é nada mais do que aquilo que o Senhor Jesus nos advertiu quando ele disse aos discípulos que deveriam se tornar tão apaixonados com o reino e em segui-lo de tal forma que todas as outras alianças devem se tornar como se nunca tivessem sido feitas. E ele nunca excluiu o laço familiar. Na verdade, esses amores que consideramos como mais íntimo, ele nos disse que deveriam se tornar como ódio, em comparação com os nossos desejos de defender sua causa. Não se entristeçam, então, se os seus filhos parecem abandoná-los, mas, em vez disso, alegrem-se de ver a vontade de Deus realizada com alegria. Lembrem-se como o salmista descreveu os filhos? Ele disse que eles eram como uma herança do Senhor, e que todo homem deveria ficar feliz se tivesse a sua aljava cheia deles. E do que é cheia uma aljava  senão de flechas? E para que servem as flechas se não forem para serem atiradas? Assim, com os braços fortes da oração, puxa-se a corda do arco para trás, lançando as flechas — todas elas, direto nos exércitos do Inimigo.”

‘Consagre teus filhos para levarem a mensagem gloriosa, Dê de tuas riquezas para acelerá-los em seus caminhos, Derrama a tua alma por eles em oração vitoriosa, E tudo o que gastastes, Jesus te retribuirá.’”

Do original: A Letter From Jim Elliot To His Parents

Por: Jim Elliot

Tradução: Victor Brito; Revisão: Vinicius Musselman.

OriginalUma Carta de Jim Elliot a seus Pais

Deus existe, eu creio, eu confio!

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Na casa de debates da Universidade de Oxford, o professor matemático e filósofo irlandês, John Lennox, inicialmente declara a si mesmo como um crente em Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele diz que não se envergonha de ser um cientista e um cristão, mas está cansado da constante escolha forçada entre Deus e a Ciência.

A força motivacional por traz da ciência é que o universo e a mente humana, em última análise, provém de uma mesma mente inteligente e divina.

Ele continua dizendo que a ciência pode encontrar respostas para quase tudo no universo, fora o porquê de ter sido feito; somente Deus pode revelar esta informação a nós. A prova da existência de Deus vem diretamente de Jesus Cristo, Deus encarnado em forma humana. Portanto, Deus não é uma teoria, mas ele é uma pessoa.

Vídeo gravado em Oxford Union, 8 de novembro de 2012.

[TRADUÇÃO E LEGENDAS: Ministério de Comunicação, Primeira Igreja Batista em Londrina]

Fonte: http://valeestreito.wordpress.com/2014/01/02/deus-existe-sim/

O Hobbit: um antídoto para a chatice imbecilizante do laicismo

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As histórias de J.R.R. Tolkien podem ser uma galinha dos ovos de ouro para a indústria do cinema, mas também podem ser uma ferramenta das mais eficazes para a evangelização.

Acaba de ser lançada a segunda parte da trilogia O Hobbit, filmada por Peter Jackson e intitulada A Desolação de Smaug. O filme é o quinto de uma linha extremamente bem-sucedida de filmes baseados nos livros que J.R.R. Tolkien ambientou no seu mundo ficcional, a Imagemles atraem grandes públicos, têm efeitos especiais espetaculares e conquistam o entusiasmo de quase todo o mundo. Mas a coisa mais incrível a respeito deles talvez seja o fato de que eles são absoluta, integral e completamente permeados de catolicismo.
J.R.R. Tolkien era um católico devoto e, apesar de seus livros não serem alegorias, são um reflexo da maneira como ele via o mundo.”Tolkien sempre afirmou que a sua imaginação se alimentava na fonte da fé católica”, diz Paul Gondreau, professor de Teologia no Providence College. “Não é de surpreender que muitos temas dominantes em O Hobbit (e em O Senhor dos Anéis, já que O Hobbit é uma espécie de prefácio à posterior trilogia) sejam profundamente cristãos”.”Esses temas incluem a realidade do bem e do mal e de que o bem sempre triunfa sobre o mal; a lei natural (num famoso escrito, Tolkien afirma que as leis da ‘segunda criação’, ou seja, da mitologia literária, devem imitar as leis da natureza do mundo real); o caos moral e físico que o desrespeito à lei natural provoca; o sentido paulino da ‘loucura da cruz’, em que os instrumentos escolhidos por Deus para a salvação são sempre um tapa na cara da ‘sabedoria’ humana (como os hobbits, e em particular Bilbo Bolseiro); a vida como uma jornada de passagem e o fato de que ‘não temos aqui nenhuma cidade permanente’ (Hb 13,14); os temas joaninos da luz e da escuridão (a Floresta de Mirkwood); o tema bíblico da administração do mundo pelo homem, incluindo o cuidado do meio ambiente, dos nossos corpos e do reino animal de forma responsável; e assim por diante”.

O premiado jornalista Tim Drake concorda: são os temas cristãosque fundamentam a história. “O escritor e professor católico Joseph Pearce afirma que O Hobbit aborda a jornada cristã do sacrifício pessoal por amor aos outros e o abandono confiante nas mãos da providência e da graça, que é um tema retratado nas ações de Bilbo ao longo de toda a história. Eu concordo com Pearce”.

O conforto é chato

Então por que a nossa cultura laica o abraça? Professor no Thomas Aquinas College, Andrew Seeley opina: porque o laicismo é monótono diante do mundo dramático que Tolkien imaginou.

“A nossa sociedade fez da obtenção do conforto uma grande arte. Não queremos aventuras; não, pelo menos, aventuras reais que envolvam perigo, estranheza e incerteza. O Hobbit desperta em nós, especialmente nos jovens, o desejo de deixar para trás uma vida segura, confortável, para encontrar o incrivelmente bonito, para sermos ferozes contra o mal terrível”. E acrescenta: “Eu acho que o papa Francisco iria aprovar isso”.

O sacerdote e escritor pe. John Bartunek diz que leu pela primeira vez a história pouco antes de se tornar cristão. “Eu li O Hobbit pela primeira vez na minha adolescência, no mesmo ano em que virei cristão. O que me moveu no livro tem uma ligação real com aquilo que me fez querer ser cristão”.

“Em O Hobbit, um sujeito comum (Bilbo Bolseiro) se envolve numa história extraordinária, numa aventura (…) Ele descobre que existe uma grande história acontecendo, uma batalha milenar entre o bem e o mal, e se sente chamado a fazer parte dessa história, ou melhor, a desempenhar um papel dentro dessa história. Ao correr esse risco generosamente, ele descobre um significado mais profundo para a sua vida. Isso é exatamente o que eu descobri quando me encontrei com Cristo. De repente, os horizontes de uma história muito maior –nada menos que a história da salvação- se abriram diante de mim. Eu vi que, ao me chamar para segui-lo, Jesus estava me convidando a fazer parte da grande aventura de construir o seu Reino. E esse apelo ressoou na minha alma com mais profundidade do que qualquer outra coisa que eu já tivesse sentido antes”.

Lições importantes para hoje

“A maior lição”, escreve John Zmirak, “é a de encontrar grandeza no ‘pequeno caminho’ que Deus preparou para você, é a de viver a vocação e servir os outros, é agir com justiça, trabalhar duro e amar com fidelidade”.

Edward Mulholland, professor de Línguas Modernas e Clássicas no Benedictine College, nos EUA, destaca a batalha entre o bem e o mal que fica evidente em O Hobbit. “As pessoas têm a necessidade de acreditar que existem coisas pelas quais vale a pena lutar, mesmo quando as chances parecem mínimas. Esse conflito é a verdadeira fonte da aventura (…) Cada geração tem que lutar pela vitória da justiça. Ela nunca é garantida num mundo decaído”.

Historiador da Igreja, o pe. John McCloskey concorda com Mulholland: “Há guerras que valem a pena. Existem o bem e o mal e existem criaturas sobrenaturais maiores do que nós. A virtude daesperança nunca é jogada fora quando a luta é entre o bem e o mal”.

sources: Aleteia

Protefa [Dom ministerial]

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O gênio da liderança profética é a capacidade de discernir as realidades espirituais em uma determinada situação ou da comunidade. Este estilo de liderança comunica os elementos das realidades espirituais de uma maneira oportuna e apropriada. A principal preocupação da liderança profética é promover a missão Deus para as pessoas e comunidades. O Profético tem um senso inato de conhecer a mente de Deus sobre as questões relativas ao crescimento e transformação. Como líder, ele ou ela está preocupada que as alterações feitas hoje são necessários para progredir no futuro. O profeta busca a integração entre as realidades espirituais e as de necessidade imediata. Ele ou ela é um questionador, perturbando livremente o status quo e desafiando pessoas e organizações para se moverem em uma direção diferente. Ele ou ela pode sondar a consciência individual ou em grupo solicitando questionamentos, tudo para ganhar clareza. O Profeta impacta as comunidades através da integração. Profético influencia outros pela verdade – dizer, não tem medo de falar em uma tensão com a forma dominante de pensamento e prática.
Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João. Este veio como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. – João 1.6-8
Características:
Questiona o que se tornou normativo;
Perturba o pensamento e as práticas comuns;
Agita para uma mudança positiva;
Desejos de aprendizagem para fins de influenciar;
Discerne a mensagem da Verdade;
Procura assegurar uma resposta autêntica à Verdade;
Questão central é um relacionamento com Deus;
Sentimento de urgência, agora, no momento, “isso deve acontecer.”;
Confortável desmantelamento do presente para um futuro de esperança;
Profunda compaixão pela causa do povo;
Inspira todas as pessoas para responder a mensagem de Deus;
Pode comunicar de forma criativa para obter o resultado da mensagem;

Impacto: Integração, o único que sabe.

Você tem muita fé no que você acredita, explica suas crenças com os outros. Seu conhecimento preciso do que Deus nos chama a fazer vai incentivar e assegurar às pessoas que, naturalmente, questionam ou estão indecisos. Este incentivo e garantia leva outros a confiança, fidelidade, obediência e influência.
Como uma pessoa que se comunica com ousadia a verdade de Deus, estar ciente de quão forte é a sua mensagem pode se tornar. Pergunta aqueles que você confia para
ajudar com a escolha da palavra, entrega e tempo. A mensagem certa no momento errado pode ser facilmente ignorado. Isto pode resultar em pessoas ficando cansado com a persistência da mesma mensagem.
Você sente grande propriedade da mensagem que Deus lhe deu. Pensa em maneiras que você pode comunicar a mensagem além das palavras.

Como você pode servir como uma forma de incentivar o seu maior compromisso? Então, comprometa-se a servir em locais que refletem sua paixão.
– Daniel Hoffman and Alan Hirsch

Vivendo como Igreja Relacional – parte 1

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Por Wayne Jacobsen, em julho de 1999

Tradução por Ezequiel Netto

Sempre que estudamos Mateus 16, não resisto em fazer uma pergunta ao grupo de crentes. Lá encontramos a única instrução registrada que Jesus deixou para seus discípulos a cerca da igreja: “Eu edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Ele não pediu que eles fizessem isso, e nem deixou um esquema de uma organização. Ele simplesmente disse que ele mesmo edificaria a sua igreja e que ela seria forte o bastante para resistir a qualquer ataque das trevas. Então, só isso parece suficiente para avaliar como ele está fazendo. Se ele está empenhado neste projeto por quase 2000 anos, o que nós deveríamos estar demonstrando? Eu pergunto isso para todo tipo de pessoas, mesmo nas convenções pastorais. Quando pergunto, posso sentir a tensão no ambiente. As pessoas ficam desconcertadas, com um sorriso meio sem graça. Eles sabem bem que não estão agindo corretamente, que a igreja está fragmentada por divisões, escândalos de imoralidade, vilipendiada por sua arrogância, exposta por suas prioridades desfocadas, e longe de dar continuidade ao ministério de Jesus demonstrado nos evangelhos. Também temos que concluir que Jesus não fez um bom trabalho, ou considerar que existe uma grande diferença entre o que ele chama igreja e o que nós chamamos.

Eu ficava desiludido sobre o que eu pensava ser a igreja de Deus. Vendo seu povo perdido em prioridades que estavam distantes da realidade e fazendo coisas que pareciam beneficiar mais a instituição do que extender o reino de Deus em nossas vidas ou no mundo, eu lamentava pela triste situação da igreja. Nunca mais! Recentemente eu passei a perceber que nossas instituições religiosas não são a igreja da forma que Deus vê. O que Deus chama “igreja” são todas as pessoas que reconhecem ao seu Filho como Senhor e Lider. Eles estão espalhados por todo o mundo, crescendo em conhecer a Deus cada vez mais e em demonstrar seu caráter neste mundo. Esta é a noiva que Deus está preparando para seu próprio Filho. Eu vejo partes dela em todo o mundo. Longe de ser fraca, dividida e corrompida, a igreja de Jesus Cristo está crescendo a cada dia em beleza, força e poder. Como Jesus está fazendo para edificar sua igreja? Inacreditável! Seu povo existe em cada canto desta Terra, e eles encontram formas de se comunicar uns com os outros, glorificando a Deus e nada consegue enfraquecer este povo.

 O que Deus chama Igreja

Para ver isso, contudo, devemos olhar além das instituições e prédios que chamamos de igreja e encontrar pessoas que estão vivendo ligadas em Deus. Por favor, não entenda mal esta afirmação. Não estou falando que estas instituições são ruins. Só estou te encorajando a não confundí-las com igreja. Sim, muitas pessoas que as frequentam, que também são parte da igreja de Deus, e crescem em conhecê-lo cada dia mais. Esta não é a questão, mas para ver o mover de Deus neste mundo, você precisa olhar além dos grupos que se autodenominam igreja, e ver o quadro maior – todos aqueles que Deus está chamando para sim mesmo através de tua cidade e de toda a Terra. Se não for desta forma, vamos confundir nosso sistema religioso com a igreja e perder a grande obra que Deus está fazendo em preparar ele mesmo a noiva. Temos que ter o cuidado de chamar igreja o que Deus chama de igreja, ou vamos terminar falando coisas que não têm nenhum sentido. Por exemplo, recentemente eu estive com um casal que, há pouco tempo atrás, simplesmente deram um basta. Cansados dos tapinhas nas costas, entediados por serem espectadores nas manhãs de domingo, não suportando mais serem manipulados em fazer mais para Deus, esgotados com tantas responsabilidades, então eles me falaram que deixaram a igreja. “Como puderam fazer isso?”, eu perguntei. “A igreja não é algo que você possa deixar, ao menos que abandonem a Jesus”. Certamente que não foi isso que fizeram, e estavam querendo dizer que deixaram a instituição religiosa na esperança de encontrar uma mais autêntica expressão da vida de Cristo do que no grupo que eles estavam participando. Mas isto é uma coisa muito diferente de abandonar a igreja. Vamos ter cuidado com nossos termos. Quando organizações religiosas adotam o termo “igreja”, fica fácil para nós ficarmos confusos, pensando que isso é o que realmente elas são. Mas elas não são. Poderiam ser um ajuntamento de pessoas que fazem parte da igreja, mas em si mesmas elas não são igreja. A igreja de Jesus Cristo nunca poderia estar contida em nenhuma organização e, de fato, da maneira que ele age, torna impossível enquadrar a igreja mesmo na mais perfeita estrutura construída.

Não há espaço para andarilhos solitários

Sei que você provavelmente ouviu pessoas falando coisas, mostrando que caminham sozinhas, mas parecem que nunca prosperam na vida de Jesus. E por um longo tempo o povo de Deus age desta maneira. Da mesma forma que uma instituição não pode ser igreja só por declarar isso, os que caminham sozinhos também não. Quem é a igreja neste mundo? Não são aqueles que vivem a mesma confissão de Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo”? Você é parte da igreja quando vive debaixo do Cabeça, seguindo a ele como seu Senhor e líder. Você também não pode ser igreja por seguir alguém que faça isso – você mesmo deve fazê-lo. E seguir a ele não te conduzirá para a independência. Mas como é isso? Deus é comunhão e em qualquer lugar onde é conhecido, uma verdadeira comunidade surgirá ao redor de seu povo. Pai, Filho e Espírito Santo têm permanecido em verdadeira comunhão por toda a eternidade, em pura alegria, compartilhando vida, amor e glória entre si mesmos. Você não consegue ser tocado por seu amor sem ser atraído em direção às pessoas que Deus colocou em seu caminho.

Quando os irmãos e irmãs estão ligados uns aos outros em verdadeira comunhão, logo descobrem que o que conhecem de Deus é sempre em parte, como através de uma fresta em uma janela embaçada. Mas na comunhão entre crentes que estão crescendo em conhecer a Deus cada vez mais, há plenitude de sabedoria e revelação. Por isso que Paulo disse em Efésios 1 que a igreja é “a plenitude daquele que enche tudo em todos”.

Imagine um grupo de pessoas experimentando esta incrível promessa! A razão por que nossa visão de Deus é geralmente limitada, é porque as instituições só são capazes de unir pessoas que vejam a mesma coisa e da mesma forma. A visão que eles têm através das lentes embaçadas nunca aumenta em clareza, e eles ficam cada vez mais convencidos que o que estão vendo é mais perfeito do que qualquer outro vê. O tipo de comunidade de Deus é aquela que surge entre pessoas que estão buscando uma vibrante amizade com o Deus vivo. E eu pensava que a vida de Deus fluía para as pessoas através da nossa então chamada estrutura da igreja. Mas não é desta forma. Não existe vida na igreja – só existe vida em Jesus. Aqueles que se reúnem para ficar alimentados ou são bombeados para atravessar mais uma semana perdem o verdadeiro sentido do que é uma igreja relacional. Nós só podemos encontrar vida em Jesus e se de fato encontramos, nossa conexão com outros crentes nos permite compartilhar esta vida juntos. “Igreja” jamais pode ser um substituto de conhecer a Deus. Estar conformado a um sistema religioso que nos encontramos e gostamos não quer dizer que o estamos seguindo. Ele está oferecendo a cada um de nós a alegria de conhecê-lo mais e mais a cada dia.

Dinâmica Institucional

É por este motivo que crescer em um relacionamento pessoal com Deus é o ponto mais importante no cristianismo relacional. Ele só pode começar se as pessoas estiverem dispostas a conhecerem e seguirem ao Deus Vivo. À medida que nosso relacionamento com ele vai crescendo, vamos aprendendo a nos relacionar com outros crentes. A comunhão não funciona de outra maneira. Após vários anos tentando desenvolver comunhão, só causamos desilusão para aqueles que realmente querem conhecer a Deus melhor a cada dia. Gene Edwards estava correto quando disse que o modelo de vida para a igreja é fundamentado no relacionamento de Jesus com seus discípulos. Ele nunca ensinou a eles como fazer um culto ou como construir um esquema organizacional. Ele nunca disse a eles que a vida da igreja consistia em fazer reuniões, se conformar a algum grupo étnico, ou regimentar pessoas para o mais bem intencionado programa. Em vez disso, ele ensinou como se relacionar com Deus como Pai, e entre si como irmãos e irmãs. A linguagem usada com eles (e a mesma usada por Paulo em suas cartas) não era a linguagem das instituições, mas a linguagem de uma família. Pelo fato de o que chamamos “igreja” hoje em dia opera numa dinâmica institucional, muitos crentes atuais não têm a mínima idéia do que Deus planejou de como seria a vida da igreja. Os objetivos das instituições são os credos, programas e práticas com o objetivo de conformar as pessoas na “maneira que as coisas são feitas aqui”. Geralmente, um grupo de líderes é mais valorizado e recebe maior atenção, e as pessoas são encorajadas a submeterem-se inquestionavelmente aos ensinamentos e conselhos deles. A dinâmica institucional encoraja as pessoas a viverem um personagem, e não liberta elas para serem verdadeiras. Fofocas e um jogo de influências abundam à medida que as pessoas tentam alcançar uma posição, e muitas vezes às custas de outros. A mesma coisa é vista no mundo coorporativo, e esta é a base de vida de uma instituição. E se você, por algum motivo, deixar uma instituição, será, na maioria das vezes, ignorado. Muitas pessoas que deixaram uma instituição religiosa comentaram que sentiram-se como se deixassem de existir, mesmo para aquelas pessoas que consideravam amigos íntimos.

 Dinâmica Familiar

Viver como família, contudo, é desenvolver algo com métodos e alvos completamente diferentes. Numa família saudável, as pessoas não estão cooperando para alcançar um fim. Eles estão simplesmente aprendendo a relacionarem-se uns com os outros em amor. Numa família saudável, a diversidade não é apenas permitida, mas é celebrada. As pessoas não se relacionam umas com as outras através de uma cadeia de autoridade, mas com suas capacidades e habilidades pessoais. Se o carro de alguém começa a fazer barulhos estranhos, eles não se sentem obrigados a chamar um irmão mais velho para resolver isso. Eles já sabem quem tem maior habilidade com carros na família e buscam a ajuda deste. Familias saudáveis não pressionam as pessoas para adotarem a mesma forma, mas deixam pessoas crescerem juntas, cada uma no seu próprio passo. Eles têm a liberdade de discordar sem se dividirem em várias famílias. Eles participam juntos da caminhada de cada um, servindo com seus dons, discernimento espiritual e habilidades, sempre que necessário, ajudando uns aos outros sem se importar com que tipo de problema estão passando. Muitos cristãos encontraram um ânimo renovado no que as Escrituras chamam de “uns aos outros” e o Novo Testamento nos encoraja a praticar. Eles estão descobrindo que ensinar, aconselhar, servir, serem hospitaleiros, compartilhar confissões, orar pelos necessitados, admoestar ao egoísta, e tudo o mais, são coisas que o corpo de Cristo pode fazer uns com os outros, e não precisamos contratar profissionais que fariam isso por nós.

Como estamos vivendo juntos em Jesus, ele compartilha seus dons através de todo o corpo, onde cada um dá e recebe de Deus, através dos outros. É por isso que alguns dizem que, nas manhãs de domingo, há uma maior expressão da “igreja” nos estacionamentos do que se permite acontecer durante os cultos matinais. Se você já vivenciou a espontaneidade verdadeira, a comunhão em um grupo de cristãos, você não precisa me contar o quão rica é esta experiência. A alegria de caminhar juntos, sem fingimento algum, de ter pessoas que te suportam nas fraquezas, que te fortalecem com seus dons, é altamente recompensador. Sim, com certeza, muito disso pode acontecer entre os crentes que se reúnem no ambiente institucional, mas isso nem sempre acontece. O importante é que você reconheça a dinâmica familiar quando a vê acontecer, e a abrace com todo o coração. Por outro lado, ao reconhecer a triste realidade da dinâmica institucional, que não tem nada a ver com o reino de Deus, você deve se afastar sem culpa alguma. Da mesma maneira que Paulo encorajou os crentes a caminharem juntos, de forma que se edificassem mutuamente, ele também orientou que tivessem a liberdade de não andar em ambiente que fosse destrutivo para suas vidas. Se você sentir que deva se afastar deste grupo, não se condene e nem deixe que eles te condenem. Você não está deixando a igreja com isso, mas talvez seja o próprio Deus que pode estar te preparando para encontrar a igreja na mais autêntica forma que você já sonhou.

 Encontrando a vida do Corpo

Então, para onde devemos ir para encontrar a vida da igreja relacional? Pra Jesus, é claro! Isso pode parecer muito simplista, mas pra onde mais você poderia ir? Confie que Jesus irá providenciar a comunhão que ele quer que você tenha. Lembre-se, sua igreja é edificiada com aqueles que estão aprendendo a confiar nele. Você pode descobrir a liberdade de viver a igreja relacional exatamente onde você está. Não se preocupe se as pessoas estão ou não compartilhando das suas mesmas perspectivas. Simplesmente busque oportunidades de compartilhar a vida com pessoas famintas de conhecer a Deus mais e mais. Podemos descobrir, contudo, que algumas estruturas institucionais destroem aqueles que têm fome de seguir a Deus livremente e ele pode chama-los para fora de lá. Muitas pessoas deixam uma instituição quebrada, só pra se afundar numa outra, ou começar uma nova, à sua maneira. Eu te aconselho a ir devagar, e não fazer nada até Deus falar contigo claramente. Testemunhe para as pessoas com as quais Deus está te conectando. Alguns podem ser velhos amigos e, outros, novas aquisições. Não se apresse a começar nada. Aprenda a reconhecer o que Deus está fazendo em tua região para trazer conexões significativas entre cristãos que tem fome de conhecer a ele – sua integridade, sua graça, sua vida. Ele tem pessoas que caminharão contigo e te animarão a crescer sem te manipular para te conformar com as expectativas delas.

O que você experimenta em sua localidade pode ser muito diferente do que acontece em outros lugares. Pode acontecer numa reunião matinal de domingo, com os vizinhos da rua, em grupos caseiros, ou com pessoas que Deus colocou em seu caminho. Quando começar acontecer, você descobrirá que a vida da igreja jamais poderia se expressar em duas ou três reuniões semanais. Ela acontece todos os dias, como vivemos nossa vida em Deus e compartilhamos ela com os outros. Como você já leu anteriormente, Jesus tem várias maneiras de chamar os cristãos para compartilharem suas vidas juntos. No próximo assunto veremos o que a Bíblia quis dizer com “não deixando de congregar” e algumas maneiras que Deus usa para convidar pessoas a compartilharem suas vidas juntos. Sei que poderia ser desencorajador buscar a profundidade da vida do corpo, enquanto são poucos os que têm fome disso atualmente. Mas se Jesus não tirou de você a paixão por isso, ele vai dar um jeito de fazer acontecer. Porém, pode não vir exatamente da forma que você está esperando. Então, não foque tão firme numa direção, pois você poderia perder outras portas que ele está abrindo. Conte a ele que está faminto por conhecer a autêntica vida do corpo do jeito que ele compartilhava com os discípulos. Peça para ele te conectar com pessoas apaixonadas por viver a dinâmica familiar. Então, aproveite as conexões que ele te deu. Não tente forçar ou moldar nada, nem sinta a necessidade de organizar um grupo para isso. Simplesmente aprenda o que é se relacionar com irmãos e irmãs, mesmo que sejam grupos de dois ou três, que permitem que Jesus seja o centro. Ame os outros da mesma forma que Deus te ama, e verá a igreja de Jesus ser edificada ao seu redor, e em todo o mundo. Isso te surpreenderá! Acima de tudo, ele está fazendo isso por 2000 anos. Atualmente, ele está maravilhosamente bom em fazer isso.

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Você compartilha essa vida com outros na sua jornada? Como você tem sido igreja fora do âmbito institucional? Para você o que é o cristianismo relacional?