Deus existe, eu creio, eu confio!

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Na casa de debates da Universidade de Oxford, o professor matemático e filósofo irlandês, John Lennox, inicialmente declara a si mesmo como um crente em Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele diz que não se envergonha de ser um cientista e um cristão, mas está cansado da constante escolha forçada entre Deus e a Ciência.

A força motivacional por traz da ciência é que o universo e a mente humana, em última análise, provém de uma mesma mente inteligente e divina.

Ele continua dizendo que a ciência pode encontrar respostas para quase tudo no universo, fora o porquê de ter sido feito; somente Deus pode revelar esta informação a nós. A prova da existência de Deus vem diretamente de Jesus Cristo, Deus encarnado em forma humana. Portanto, Deus não é uma teoria, mas ele é uma pessoa.

Vídeo gravado em Oxford Union, 8 de novembro de 2012.

[TRADUÇÃO E LEGENDAS: Ministério de Comunicação, Primeira Igreja Batista em Londrina]

Fonte: http://valeestreito.wordpress.com/2014/01/02/deus-existe-sim/

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História da Oração 24/7

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O Tabernáculo de Davi

O rei Davi foi um homem de “uma só coisa” (Sl 27:4). Por volta de 1.000 a.C., de coração transbordante, Davi ordenou que a Arca da Aliança fosse trazida para sua nova capital, Jerusalém, sobre os ombros dos Levitas ao som de canções e instrumentos musicais. Lá, ele a colocou dentro de uma tenda e designou 288 cantores proféticos e 4.000 músicos para ministrarem diante do Senhor que fizessem petições, agradecessem e louvassem ao Senhor dia e noite (1 Cr 15:1 – 17:27). Não havia nada parecido em toda História de Israel até aquele momento, mas foi o plano de Deus para Israel.

A Ordem Davídica da Adoração

Embora o tabernáculo fosse substituído por um templo, a ordem Davídica de adoração foi adotada e reinstituída por sete líderes subsequentes durante a história de Israel e de Judá. Cada vez que esta ordem de adoração foi restabelecida, houve, em sequência, um período de rompimento espiritual, libertação e vitória militar.

  • Salomão instruiu que a adoração no templo deveria ser conforme a ordem Davídica (2 Cr 8:14-15).
  • Josafá derrotou Moabe e Amom colocando cantores na linha de frente do exército para cantar louvores conforme a ordem Davídica (2 Cr 20:20-22, 28)
  • Joás (2 Cr 23:1–24:27).
  • Ezequias purificou, consagrou o templo e restabeleceu a ordem Davídica da adoração (2 Cr 29:1–36; 30:21).
  • Josias reinstituiu a adoração Davídica (2 Cr 35:1–27).
  • Esdras e Neemias, ao retornar da Babilônia, restabeleceram a adoração Davídica (Ed 3:10; Ne 12:28–47).

Os historiadores especulam que nos dias de Jesus, na busca de encontrar comunhão com Deus, os Essênios do deserto da Judéia restabeleceram a adoração Davídica como parte de sua vida de oração e jejum.

Início da Tradição Monástica de Oração 24/7

Por mais de mil anos, monasticismo (a prática de fazer votos de pobreza, castidade e obediência a um superior espiritual) teve uma papel fundamental no desenvolvimento da teologia e da prática na Igreja. A partir do quarto e quinto século, monges e freiras eram aceitos como parte da sociedade. O monasticismo é o berço do nascimento de “lausperene”, a oração perpétua, na era da igreja. Vamos descrever algumas das figuras chaves desta tradição.

Alexander Akimetes e os “Sleepless Ones” (Os que não dormem)

Nascido na Ásia menor e educado em Constantinopla, Alexander se tornou um oficial no exército Romano. Desafiado pelas palavras de Jesus ao jovem rico de Mateus 19:21, Akimetes vendeu suas posses e retirou-se da vida de corte para o deserto. A tradição diz que ele pôs fogo num templo pagão depois de sete anos de solidão. Após ser detido e preso, Alexander converteu o administrador da prisão e sua família, e retornou imediatamente a habitar no deserto. Pouco depois, ele teve a infelicidade de misturar-se com um bando de assaltantes. Seu zelo evangelístico não poderia ser contido, e ele converteu estes homens em devotos seguidores de Jesus. Este grupo se tornou o núcleo do seu grupo de monges. Por volta de 400 dC, ele retornou a Constantinopla com 300 a 400 monges, onde ele estabeleceu a “lausperene” em cumprimento da exortação de Paulo de orar sem cessar (1 Ts 5:17). Levados a sair de Constantinopla, os monges estabeleceram o mosteiro em Gormon, na entrada do Mar Negro. Este lugar tornou-se, então, a base do mosteiro da ordem de Acoemetae (literalmente, os que não dormem). Alexander morreu neste lugar em 430 dC, mas a influência do Acoemetae continuou. As casas foram divididas em 6 corais rotativas durante o dia, e cada próximo coral aliviava o anterior, assim, criando oração e adoração ininterrupta por vinte e quatro horas do dia.

João, o segundo abade do Acoemetae, fundou outro mosteiro no litoral leste de Bósforo, e referido por muitos, em documentos antigos, como o “grande mosteiro” e a casa mãe do Acoemetae. Durante o Império Bizantino, a biblioteca que se encontrava lá era reconhecida pela grandeza e sem dúvida foi visitado por muitos papas. O terceiro abade estabeleceu um mosteiro na capital sob o cônsul real, Stoudios, quem dedicou o novo mosteiro a João Batista. Stoudion se tornou um renomado centro de ensino e piedade, o mais importante mosteiro em Constantinopla. Stoudion continuou até 1453 quando os Turcos capturaram Constantinopla.

O impacto duradouro de Acoemetae foi a adoração e a contribuição para a liturgia da igreja. Os mosteiros, entre centenas e algumas vezes milhares, eram organizados em grupos nacionais de latinos, gregos, sírios e egípcios, e também em corais. Além de lausperene, que passou para a Igreja Ocidental com o Santo Maurício d’Agaune, eles desenvolveram o Ofício Divino – a efetivação literal do Salmo 119:164, “Sete vezes no dia, eu te louvo pela justiça dos teus juízos.” Isto se tornou parte integrante da regra beneditina das sete horas da oração, a liturgia das horas – Matinas, Laudes, Tércia, Sexta, Noa, Vésperas e Completas.

Agaunum

Por volta de 522, o abade Ambrósio chamou a atenção para um pequeno mosteiro na Suíça. Diz a lenda que por volta de 286, uma legião Tebana, sob o comando de Maurício de Valois foi enviada para reprimir uma rebelião dos gauleses no norte do império.

A caminho para a Gália, os cristãos coptas estavam acampados em Agaunum (atual Suíça), onde eles foram ordenados a sacrificar aos deuses romanos e ao Imperador pedindo por vitória. Maurício e a sua Legião Tebana recusaram. O imperador romano Maximiano ordenou que “dizimasse” a legião de sete mil: morte de um em cada dez homens. Quando Maurício e os seus homens continuaram com a recusa, uma segunda dizimação foi ordenada, seguido por outro e outro. Com o tempo, todos os sete mil cristãos egípcios foram martirizados.

Embora a veracidade da história tenha sido posta em dúvida, a lenda dos mártires em Agaunum se espalhou largamente. Entre 515-521, Sigismundo, Rei da Borgonha, generosamente fundou o mosteiro estabelecido no local do martírio para garantir seu sucesso. Em 522, o abade de Santo Maurício instituiu o lausperene conforme a tradição da Acoemetae. Corais de monges cantavam em rodízios, um coral aliviando o coral anterior, assim, continuando dia e noite. Esta prática continuou até por volta do ano 900, impactando os mosteiros por toda a França e Suíça.

Comgall e Bangor

O Mappa Mundi, o mais célebre de todos os mapas medievais, contém uma referência de um lugar no limite do mundo conhecido: Bangor, Irlanda. Por que este pequeno e distante lugar, atualmente uma cidade costeira adormecida a 24 quilômetros de Belfast, capital da Irlanda do Norte, foi tão importante nos tempos medievais?

São Patrício e Vallis Angelorum (Vale dos Anjos)

O monasticismo na Grã-Bretanha e na Irlanda desenvolveu ao longo de linhas semelhantes às dos Pais do Deserto do Oriente. A mãe de São Patrício era parente próximo de Martinho de Tours, um contemporâneo de Santo António, o pai do monasticismo. Não é nenhuma surpresa que o mesmo tipo de ascetismo, que acompanhou o estilo de vida monástica no Egito, também foi encontrado na Irlanda.

Em 433, bem no momento em que o Império Romano estava começando a ruir, São Patrício retornou à Irlanda (anteriormente foi escravizado na ilha), com visão de pregar a mensagem Cristã para os irlandeses. Outros ascetas o seguiram, Finnian, Brigid, e Ciaran, os quais estabeleceram centros monásticos por toda a ilha. Enquanto que o Cristianismo, em grande parte do império, tinha sido fundado com a supervisão de bispos sobre as cidades e centros urbanos, a Irlanda nunca foi conquistada e não possuía centros urbanos. A queda do império, portanto, teve pouco impacto, tornando-se relativamente fácil para os mosteiros se tornarem o centro de influência na sociedade irlandesa.

De acordo com o monge Anglo-Normando Jocelino do século XII, São Patrício veio para descansar em um vale às margens do Lago Belfast em uma de suas muitas viagens. Neste lugar, ele e os seus companheiros tiveram uma visão celestial. Jocelino afirma: “eles observaram o vale cheio de luz celestial, com uma multidão no céu, eles ouviram, como quem cantavam como vozes de anjos, o salmodia do coro celestial.” O lugar ficou conhecido como “Angelorum Vallis” ou o Vale dos Anjos. O famoso Mosteiro Bangor foi fundado neste mesmo lugar cerca de cem anos mais tarde; a partir deste ponto, a canção do céu alcançara à Europa.

Apresentando Comgall

Fundador de Bangor, Comgall, nasceu no Condado Antrim, Irlanda do Norte, em 517. Originalmente um soldado, logo ele fez os votos monásticos e foi educado na sua nova vida. A próxima citação sobre a vida dele está nos anais irlandeses, como um ermitão no Lago Erne. No entanto, seu governo foi tão severo que sete de seus companheiros monges morreram e ele foi convencido a sair e estabelecer uma casa em Bangor (ou Beannchar, do irlandês Horned Curve, provavelmente em referência à baía), no famoso Vale dos Anjos. Os primeiros anais irlandeses citam o ano de 558 como a data de início de Bangor.

Bangor Mor e a Salmodia Perpétua

Em Bangor, Comgall instituiu uma regra monástica rígida de oração incessante e jejum. Ao invés de afastar as pessoas, esta regra ascética atraiu os milhares. Quando Comgall morreu em 602, os anais relatam que três mil monges o tiveram como referência para receber  orientação. Bangor Mor, chamado de “o Grande Bangor” para distinguir dos seus contemporâneos britânicos, tornou-se a maior escola monástica no Ulster, e um dos três principais luzes do cristianismo céltico. Os outros foram Iona, o grande centro missionário fundado por Colomba, e Bangor no Dee, em Gales, fundado por Dinooth; as antigas Tríades galesas também confirmam as “Harmonias Perpétuas” nesta grande casa.

Ao longo do sexto século, Bangor tornou-se famoso por seu salmodia em coral. “Foi esta música que foi levado ao continente pelos Missionários de Bangor, no século seguinte” (Hamilton, Reitor da Bangor Abbey). Os serviços divinos das sete horas de oração foram realizados ao longo da existência de Bangor. No entanto, os monges foram ainda mais longe e realizaram a prática de lausperene. No século XII, Bernardo de Claraval falou de Comgall e Bangor, afirmando: “a cerimônia de ofícios divinos foi mantida por companhias, que aliviaram um ao outro em sucessão, de forma que nenhum momento do dia ou da noite houvesse um intervalo nas suas devoções.” Este canto contínuo foi antifonal, por natureza, com base no chamado e na resposta rememorativa da visão de São Patrício, mas também praticado pelas casas de São Martinho na Gália. Mais tarde, muitos desses salmos e hinos foram escritos no Antifonário de Bangor, que veio a residir no mosteiro Colombano em Bobbio, Itália.

Os Missionários de Bangor

A vida ascética de oração e jejum chamou a atenção para Bangor. No entanto, com o passar do tempo, Bangor também se tornou um lugar famoso de aprendizagem e educação. Naqueles dias havia um ditado na Europa que dizia, se um homem conhecia grego então era destinado a ser um irlandês, em grande parte devido à influência de Bangor. Mais tarde, o mosteiro tornou-se uma comunidade que enviava missionários. Até hoje, a cidade é base para as sociedades missionárias. Monges de Bangor aparecem em toda a literatura medieval como uma força para o bem.

Em 580, um monge de Bangor, chamado de Mirin, levou o cristianismo a Paisley, onde ele morreu “cheio de milagres e de santidade.” Em 590, o aquecido Colombano, um dos líderes Comgall, foi enviado a partir de Bangor com outros doze irmãos, incluindo Gall, quem plantou mosteiros em toda a Suíça. Na Borgonha, ele estabeleceu uma regra monástica rígida em Luxeuil, que refletia a de Bangor. De lá ele foi para Bobbio na Itália e estabeleceu a casa que se tornou um dos maiores e melhores mosteiros na Europa. Colombano morreu em 615, mas em 700, cem mosteiros adicionais tinham sido plantados por toda a França, Alemanha e Suíça. Outros famosos monges missionários que saíram de Bangor incluem Molua, Findchua e Luanus.

O Fim da Grandeza

A grandeza de Bangor chegou ao fim em 824 com as invasões dos Vikings saqueadores; em apenas uma invasão, 900 monges foram mortos. No século XII, embora houvesse uma ressurreição do fogo do Comgall iniciado por São Malaquias (um grande amigo de Bernardo de Claraval, que escreveu “A Vida de São Malaquias”), infelizmente nunca teve o mesmo impacto que os primórdios tições Celtas, que detiveram a maré das trevas e o colapso social, ao levar Deus a uma geração quebrada.

Cluny

Nos séculos IX e X, os vikings invasores e os colonos forjavam violentamente um novo estilo de vida na Europa. O feudalismo estava se enraizando e o modo de vida monástico foi abalado, não só pelos ataques físicos que Bangor experimentou, mas pelas consequências dos ataques, quando muitas casas foram subjugadas aos caprichos dos chefes locais. Como reação a esse movimento, a reforma surgiu de várias maneiras, uma sem dúvida, sendo o movimento reformador mais importante na Igreja do Ocidente: a ordem de Cluny.

Em 910, Guilherme o Piedoso, o Duque da Aquitânia, fundou o mosteiro de Cluny, sob os auspícios do Abade Berno, instituindo uma forma mais rigorosa da regra beneditina. Guilherme fez doações a abadia, com recursos de seu domínio inteiro, mas o mais importante ele deu liberdade a abadia em dois aspectos. Devido à doação financeira, a abadia foi cometida a mais oração e louvor perpétuo, em outras palavras, lausperene. A sua autonomia da liderança secular era também importante, assim como a abadia prestava contas diretamente a igreja em Roma.

O segundo abade, Odo, assumiu em 926. De acordo com CH Lawrence, ele era “uma encarnação viva do ideal beneditino.” Seu zelo reformista fez com que a influência do mosteiro de Cluny expandisse amplamente durante o tempo de sua liderança. Conhecido por sua independência, hospitalidade e esmolas, Cluny significativamente se afastou da regra beneditina, removendo o trabalho manual diário de um monge e substituindo-o com aumento de oração. O número de casas monásticas que viam Cluny como sua casa-mãe aumentou muito durante este período, e a influência da casa se ​​espalhou por toda a Europa.

Cluny chegou ao auge de seu poder e influência no século XII, e comandava 314 mosteiros por toda a Europa, perdendo apenas para Roma, em termos de importância no mundo cristão. Tornou-se um lugar de aprendizagem e formação para não menos que quatro papas. O rápido crescimento da comunidade em Cluny logo necessitou a construção de edifícios. Em 1089, a abadia de Cluny começou a construção sob a direção de Hugh, o sexto abade. Foi concluída em 1132 e foi considerada uma das maravilhas da Idade Média. Com mais de 170 metros de comprimento, foi o maior edifício da Europa até a construção da Basílica de São Pedro em Roma durante o século XVI. Composto por cinco naves, um nártex (ante-igreja), várias torres, e os edifícios conventuais, cobria uma área de 10 hectares. No entanto, mesmo antes desses grandes projetos arquitetônicos, é interessante notar que o declínio da espiritualidade levou ao desaparecimento final da influência de Cluny.

Conde Zinzendorf e os Moravios

Primeiros anos de Zinzendorf

A Reforma do século XVI foi tão necessária na igreja Européia que causou o fechamento de muitos mosteiros que tinham tornado mortos espiritualmente. A próxima grande campanha de oração 24/7 não apareceu até o início do século XVIII com o Conde Nicholas Ludwig Von Zinzendorf.

Zinzendorf nasceu em 1700 em uma família aristocrática, porém piedosa. Seu pai morreu quando ele tinha apenas seis semanas de idade. Portanto, o menino foi criado por sua avó, uma líder conhecida do movimento Pietista e amiga de um jovem líder estabelecido do Pietismo, padrinho de Zinzendorf, Philip Spener. Crescendo num ambiente com tanta paixão por Jesus, Zinzendorf fala de sua infância como um tempo de grande piedade: “No meu quarto ano eu comecei a buscar a Deus com sinceridade, e determinei a me tornar um verdadeiro servo de Jesus Cristo.”

A partir dos dez anos de idade, Zinzendorf foi educado na escola pietista de Halle sob o olhar atento de Augusto Francke, outro líder do Pietistas. Lá, ele formou um clube escolar, que durou por toda sua vida, A Ordem Honrosa do Grão de Mostarda. Depois de vários anos em Halle, o tio de Zinzendorf considerou o jovem conde muito Pietista e o enviou para Wittenberg para aprender jurisprudência, para que pudesse estar preparado para a vida de tribunal. Logo, o jovem conde fora aceito em vários círculos da sociedade na Europa. Ele manteve estes relacionamentos para o resto de sua vida, apesar de sua posição no tribunal de Dresden e os planos futuros para sua vida no tribunal saxônica como Secretário de Estado não se cumpririam.

Os Morávios e o Herrnhut

Em 1722, Zinzendorf comprou a fazenda Berthelsdorf de sua avó e colocou um pregador Pietista na igreja Luterana local. Naquele mesmo ano Zinzendorf entrou em contato com um pregador Morávio, Christian Davi, que convenceu o jovem conde dos sofrimentos dos protestantes perseguidos na Morávia. Estes Morávios conhecidos como os Unitas Fratrum eram os últimos dos seguidores de João Huss na Boêmia. Desde o século XVII, esses santos haviam sofrido nas mãos de sucessivos Monarcas Católicos repressivos. Zinzendorf lhes ofereceu asilo em suas terras. Christian Davi voltou para a Boêmia e trouxe muitos para se abrigar na propriedade de Zinzendorf, formando a comunidade de Herrnhut, a Vigília do Senhor. A comunidade cresceu rapidamente para aproximadamente 300 pessoas, e, devido às divisões e tensões na comunidade infantil, Zinzendorf desistiu de sua posição no tribunal e se tornou o líder da irmandade, instituindo uma nova constituição para a comunidade.

A Centenária Reunião de Oração e as Missões Subsequentes

Uma nova espiritualidade agora caracterizou a comunidade, com homens e mulheres organizados e comprometidos em pequenos grupos ou corais para encorajar uns aos outros na vida com Deus. Agosto de 1727 é visto como o Pentecostes Moraviano. Zinzendorf disse que 13 de agosto foi “o dia do derramamento do Espírito Santo sobre a congregação, foi um Pentecostes.” Dentro de duas semanas do derramamento, vinte e quatro homens e vinte e quatro mulheres se aliançaram para orar “intercessões pela hora”, ou seja, orações a cada hora do dia. Eles se comprometeram para que o fogo possa arder continuamente sobre o altar e não se apagar (Lv 6:13). O número de pessoas da comunidade empenhadas neste esforço logo aumentou para cerca de setenta. Esta reunião de oração continuaria incessantemente por mais de cem anos, e é visto por muitos como o poder espiritual que influenciou o impacto que os Morávios fizeram no mundo.

A sala de oração em Herrnhut resultou em um zelo missionário que, por pouco, não foi ultrapassada na história da igreja. A centelha inicial surgiu do encontro de Zinzendorf na Dinamarca, com os esquimós, que haviam sido convertidos pelos luteranos. O conde retornou a Herrnhut e transmitiu sua paixão de ver o evangelho pregado entre as nações. Como resultado, muitas pessoas da comunidade saíram ao mundo para pregar o evangelho, alguns até mesmo se vendendo para a escravidão, a fim de cumprir a grande comissão. Este compromisso pode ser demonstrado por uma estatística simples. Normalmente, quando se trata de missões mundiais, a laicidade protestante para uma relação missionária tem sido 5.000 por 1. Porém, com os Morávios esta proporção aumentou muito para 60 por 1. Até 1776, uns 226 missionários foram enviados pela comunidade de Herrnhut. É evidente, através do ensinamento do pai das missões modernas, William Carey, que os Morávios tiveram um profundo impacto sobre ele com relação ao zelo pela atividade missionária. É também através da mentalidade missionária dos Morávios que João Wesley veio para a fé cristã. O impacto desta pequena comunidade na Saxônia, que se comprometeu a buscar a face do Senhor dia e noite, foi verdadeiramente imensurável.

Oração 24/7 no Século XX

Em 1973, David Yonggi Cho, pastor da Igreja do Evangelho Pleno de Yoido em Seul, Coréia do Sul, iniciou o Monte de Oração, com oração dia e noite. Logo, o Monte de Oração atraía mais de um milhão de visitantes por ano, enquanto passavam retirados nas células de oração sobre o monte. Cho se comprometeu à oração incessante, à fé e ao estabelecimento de pequenas células de discipulado em sua igreja. Talvez como resultado disto, a igreja de Cho se expandiu rapidamente para se tornar a maior congregação de igreja no mundo, com atualmente mais de 780.000 membros.

Em 19 de setembro de 1999, a Casa Internacional de Oração de Kansas City, Missouri, começou uma reunião de oração, baseada em adoração, que continua desde então por 24 horas ao dia, sete dias por semana. Com uma visão semelhante à de Zinzendorf, em que o fogo no altar nunca se apagaria, nunca houve, desde esta data, um momento em que a adoração e a oração não subiu ao céu.

Ao mesmo tempo, em muitos outros lugares ao redor do mundo, Deus colocou desejos e planos para oração24/7 em diversos ministérios e nos corações de muitos líderes. Isto resultou no estabelecimento de casas de oração 24/7 e montes de oração em todos os continentes da terra.

Fonte: FHOP

O materialismo do Papai Noel e a espiritualidade do Menino Jesus

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Feliz natal…

Leonardo Boff

Um dia, o Filho de Deus quis saber como andavam as crianças que outrora, quando andou entre nós,“as tocaca e as abençoava” e que dissera:”deixai vir a mim as criancinhas porque delas é o Reino de Deus”(Lucas 18, 15-16).

À semelhança dos mitos antigos, montou num raio celeste e chegou à Terra, umas semanas antes do Natal. Assumiu a forma de um gari que limpava as ruas. Assim podia ver melhor os passantes, as lojas todas iluminadas e cheias de objetos embrulhados para presentes e principalmente seus irmãos e irmãs menores que perambulavam por aí, mal vestidos e muitos com forme, pedindo esmolas. Entristeceu-se sobremaneira, porque verificou que quase ninguém seguira as palavras que deixou ditas:”quem receber qualquer uma destas crianças em meu nome é a mim que recebe”(Marcos 9,37).

E viu também que já ninguém falava do Menino Jesus que vinha, escondido, trazer na noite de Natal, presentes para…

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O Hobbit: um antídoto para a chatice imbecilizante do laicismo

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As histórias de J.R.R. Tolkien podem ser uma galinha dos ovos de ouro para a indústria do cinema, mas também podem ser uma ferramenta das mais eficazes para a evangelização.

Acaba de ser lançada a segunda parte da trilogia O Hobbit, filmada por Peter Jackson e intitulada A Desolação de Smaug. O filme é o quinto de uma linha extremamente bem-sucedida de filmes baseados nos livros que J.R.R. Tolkien ambientou no seu mundo ficcional, a Imagemles atraem grandes públicos, têm efeitos especiais espetaculares e conquistam o entusiasmo de quase todo o mundo. Mas a coisa mais incrível a respeito deles talvez seja o fato de que eles são absoluta, integral e completamente permeados de catolicismo.
J.R.R. Tolkien era um católico devoto e, apesar de seus livros não serem alegorias, são um reflexo da maneira como ele via o mundo.”Tolkien sempre afirmou que a sua imaginação se alimentava na fonte da fé católica”, diz Paul Gondreau, professor de Teologia no Providence College. “Não é de surpreender que muitos temas dominantes em O Hobbit (e em O Senhor dos Anéis, já que O Hobbit é uma espécie de prefácio à posterior trilogia) sejam profundamente cristãos”.”Esses temas incluem a realidade do bem e do mal e de que o bem sempre triunfa sobre o mal; a lei natural (num famoso escrito, Tolkien afirma que as leis da ‘segunda criação’, ou seja, da mitologia literária, devem imitar as leis da natureza do mundo real); o caos moral e físico que o desrespeito à lei natural provoca; o sentido paulino da ‘loucura da cruz’, em que os instrumentos escolhidos por Deus para a salvação são sempre um tapa na cara da ‘sabedoria’ humana (como os hobbits, e em particular Bilbo Bolseiro); a vida como uma jornada de passagem e o fato de que ‘não temos aqui nenhuma cidade permanente’ (Hb 13,14); os temas joaninos da luz e da escuridão (a Floresta de Mirkwood); o tema bíblico da administração do mundo pelo homem, incluindo o cuidado do meio ambiente, dos nossos corpos e do reino animal de forma responsável; e assim por diante”.

O premiado jornalista Tim Drake concorda: são os temas cristãosque fundamentam a história. “O escritor e professor católico Joseph Pearce afirma que O Hobbit aborda a jornada cristã do sacrifício pessoal por amor aos outros e o abandono confiante nas mãos da providência e da graça, que é um tema retratado nas ações de Bilbo ao longo de toda a história. Eu concordo com Pearce”.

O conforto é chato

Então por que a nossa cultura laica o abraça? Professor no Thomas Aquinas College, Andrew Seeley opina: porque o laicismo é monótono diante do mundo dramático que Tolkien imaginou.

“A nossa sociedade fez da obtenção do conforto uma grande arte. Não queremos aventuras; não, pelo menos, aventuras reais que envolvam perigo, estranheza e incerteza. O Hobbit desperta em nós, especialmente nos jovens, o desejo de deixar para trás uma vida segura, confortável, para encontrar o incrivelmente bonito, para sermos ferozes contra o mal terrível”. E acrescenta: “Eu acho que o papa Francisco iria aprovar isso”.

O sacerdote e escritor pe. John Bartunek diz que leu pela primeira vez a história pouco antes de se tornar cristão. “Eu li O Hobbit pela primeira vez na minha adolescência, no mesmo ano em que virei cristão. O que me moveu no livro tem uma ligação real com aquilo que me fez querer ser cristão”.

“Em O Hobbit, um sujeito comum (Bilbo Bolseiro) se envolve numa história extraordinária, numa aventura (…) Ele descobre que existe uma grande história acontecendo, uma batalha milenar entre o bem e o mal, e se sente chamado a fazer parte dessa história, ou melhor, a desempenhar um papel dentro dessa história. Ao correr esse risco generosamente, ele descobre um significado mais profundo para a sua vida. Isso é exatamente o que eu descobri quando me encontrei com Cristo. De repente, os horizontes de uma história muito maior –nada menos que a história da salvação- se abriram diante de mim. Eu vi que, ao me chamar para segui-lo, Jesus estava me convidando a fazer parte da grande aventura de construir o seu Reino. E esse apelo ressoou na minha alma com mais profundidade do que qualquer outra coisa que eu já tivesse sentido antes”.

Lições importantes para hoje

“A maior lição”, escreve John Zmirak, “é a de encontrar grandeza no ‘pequeno caminho’ que Deus preparou para você, é a de viver a vocação e servir os outros, é agir com justiça, trabalhar duro e amar com fidelidade”.

Edward Mulholland, professor de Línguas Modernas e Clássicas no Benedictine College, nos EUA, destaca a batalha entre o bem e o mal que fica evidente em O Hobbit. “As pessoas têm a necessidade de acreditar que existem coisas pelas quais vale a pena lutar, mesmo quando as chances parecem mínimas. Esse conflito é a verdadeira fonte da aventura (…) Cada geração tem que lutar pela vitória da justiça. Ela nunca é garantida num mundo decaído”.

Historiador da Igreja, o pe. John McCloskey concorda com Mulholland: “Há guerras que valem a pena. Existem o bem e o mal e existem criaturas sobrenaturais maiores do que nós. A virtude daesperança nunca é jogada fora quando a luta é entre o bem e o mal”.

sources: Aleteia

Por uma vida mais off-line

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Por Dani Arrais

David Baker checa email duas vezes por dia, acha extremamente rude manter uma conversa com alguém que não tira os olhos do celular e só conseguiu usar o Facebook por um mês (e odiou a experiência). O comportamento frugal em relação à tecnologia vem da experiência que ele tem na área: há mais de três décadas ele pensa, escreve, faz consultorias e dá aulas sobre o assunto. Por anos foi editor-chefe da versão inglesa da revista Wired, a bíblia da tecnologia, e hoje é professor na The School of Life, a escola criada por Alain de Botton e Roman Kznaric (“Escola da vida” criada em Londres planeja versão brasileira + Como encontrar o trabalho da sua vida)

Nos anos 1980, Baker deixou o emprego em um escritório de relações públicas e teve que aprender duas coisas: como ganhar dinheiro sendo seu próprio empregador e como lidar com o tempo para tirar o melhor proveito dele. “Acredito muito que devemos trabalhar o mínimo possível, da maneira mais esperta que der. Acho que somos capazes de coisas maravilhosas, mas, especialmente no trabalho, fazemos com que ele dure muito mais que o necessário”, disse ele ao Don’t Touch.

Em uma época em que o lema era “work hard, play hard”, Baker decidiu não ser um yuppie. “Tomei uma decisão de trabalhar menos, ganhar menos e gastar menos. Vivo confortavelmente, não sou um milionário. Entre os meus amigos, provavelmente, sou o que ganha menos, mas sou o que tem mais tempo. E pra mim essa troca foi bonita.”

Viver com menos talvez tenha sido o primeiro passo para que Baker começasse a entender que esse comportamento também poderia ser levado para o mundo digital, que funciona em uma velocidade e com um volume de dados impossíveis de acompanhar. “Precisamos reconfigurar nossa relação com a tecnologia. Em vez de usar toda a tecnologia disponível pra viver nossas vidas, nós temos que viver as nossas vidas e usar a tecnologia como ferramentas extras para isso. Se nós não fizermos isso, nos tornaremos escravos”, diz ele.

Conversei com o David na última terça-feira, ao fim do intensivo que ele deu na versão brasileira da The School of Life, em São Paulo. No próximo sábado, às 11h, ele fala sobre “Tecnologia e Humanidade” no sermão da escola, que acontece no Teatro Augusta. Ainda há ingressos, aproveitem > http://www.theschooloflife.com/shop/david-baker-sobre/

O papo foi daqueles demorados e deliciosos, em que a gente vai ouvindo cada frase com total atenção (e com o celular no modo avião, por favor!), aprendendo com a experiência de quem se dedica ao assunto há muito tempo e pegando dicas para incorporar na vida atitudes que levam a um comportamento digital mais saudável.

Espero que vocês gostem! ♥

– Tem um livro que eu gosto que fala que nós esperamos mais da tecnologia do que uns dos outros. O que você acha disso?

Meu tema para este ano, porque eu trabalho para a Wired e porque ensino na School of Life, é tentar investigar o que acontece quando seres humanos e tecnologia colidem. A tecnologia está se tornando cada vez melhor mais rapidamente e isso não vai parar. E isso nos traz problemas. O primeiro é que nós temos expectativas diante da tecnologia que são despropositadas, temos a ilusão de que a tecnologia vai resolver todos os nossos problemas. E não é verdade. Existe um “solucionismo”. Tenho um problema e penso que vai existir uma tecnologia para resolvê-lo. E não é o caso. Tecnologia é ferramenta. O que nós precisamos é reconfigurar nossa relação com a tecnologia. Em vez de usá-la para viver nossas vidas, nós temos que viver as nossas vidas e usá-la como ferramentas extras para isso. Se nós não fizermos isso, nos tornaremos escravos. Isso aconteceu na Revolução Industrial. Quando as indústrias de fábricas cresceram, as vidas de várias pessoas ficaram piores, mesmo com muita gente pensando que aquilo era sinônimo de progresso. Começamos a descobrir coisas como poluição, o som constante das máquinas. Aí mudamos essa relação. A nossa relação com a tecnologia hoje ainda é adolescente e agora estamos começando a nos tornar adultos.

– Por que você acha que nós estamos tão viciados em likes e comentários?

Por duas razões. É realmente excitante quando as pessoas dão like em alguma coisa que nós postamos. É como ser um ator em um filme, é como se fôssemos famosos. Tem uma platéia ali, de maioria de pessoas desconhecidas. “Estranhos gostam do que eu digo? Que bom!”. E nós podemos ter números. Conheço pessoas no Twitter que entram em competições para ver quem tem mais seguidores. Existe uma idéia de que podemos ser melhores por causa dos números. E o que ferramentas como Twitter e Instagram fazem é o que os psicólogos chamam de reforço intermitente. É como um jogo de azar. Vencer é o like, que vem de maneira randômica. Continuo jogando roleta porque a próxima rodada pode me fazer ganhar. Continuo postando pra ver se vem um prêmio. Pessoas que não podem deixar seus telefones de lado têm um problema psicológico.

– Há estudos que dizem que esse vício é químico também. Quando checamos email e tem uma mensagem nova, o cérebro libera dopamina. Ficamos animados e queremos de novo.

Nós temos que entender onde está a dopamina em outras áreas da nossa vida. Não é certo sentir prazer em checar email. É ridículo. Email é uma coisa prática para comunicação. Nós precisamos pensar: por que estou procurando meu prazer aqui, se poderia fazer isso de uma maneira que me preenchesse mais? Eu checo emails duas vezes por dia, geralmente. E minha vida é ok, não é um desastre. No resto do tempo eu espero encontrar prazer em outros lugares.

– E como você chegou a essa dinâmica de checar email duas vezes por dia?

Quando me tornei o editor-chefe da Wired em Londres, comecei a receber centenas de emails. Eu passava o dia lendo emails, e os projetos que eu precisava fazer, como criar uma edição digital, não iam pra frente, pois eu não tinha tempo. Daí decidi reduzir essa exposição. Sou velho o suficiente para lembrar que a comunicação era feita por correios. Quando comecei a trabalhar, a comunicação vinha duas vezes por dia. Recebíamos alguma coisa, pensávamos na resposta, escrevíamos, enviávamos. E o trabalho funcionava do mesmo jeito. Decidi checar email às 11h, depois às 16h. Também desliguei o voicemail do meu telefone, para que as pessoas não pudessem deixar mensagens. Desliguei as notificações do Outlook. Isso mudou a minha vida completamente.

– Queria conseguir fazer isso.

O que falamos aqui na School of Life é de ir experimentando. Tente por um dia, veja o que acontece. Depois por dois e assim por diante.

– Estamos sempre conectados, mas frequentemente nos sentimos sozinhos. Isso é um paradoxo ou é um sentimento que está se tornando real para cada vez mais pessoas? Qual é a importância de saber ficar sozinho?

É irônico, né? Quanto mais conectados, mais nos sentimos sozinhos. O que acontece é a Fomo (fear of missing out), o medo de perder as coisas é um sentimento muito profundo, principalmente para quem vive em grandes cidades. O que acontece é que na internet vivemos em “megalópolis”. Não consigo lembrar quantos membros o Facebook tem, mas vivemos numa população de bilhões. O que a internet promete é conexão e compartilhamento, mas o que entrega é mais uma sensação do que estamos perdendo. Nós pensávamos que a internet iria aumentar a diversidade, mas, em vez disso, as pessoas tendem a se comunicar com quem já conhecem, a criar pequenos grupos. E também não existe fronteira de tempo. Preciso estar conectado. A idéia de estar sempre conectado é ainda mais jovem que a internet, veio com a conexão banda larga. Nós olhamos como um direito que sempre existiu, mas em 1990, 1992, você tinha que ligar para um número, se conectar na internet, fazer seus negócios, se desconectar. Tínhamos uma atitude diferente: vou me conectar, falar com as pessoas, me desconectar. Mas o “always on” nos dá a ilusão de que temos que estar conectados o tempo todo, o que é um problema, porque, quando a conexão cai, a gente enlouquece.

– E qual é a importância de saber ficar sozinho?

Nós geralmente estamos sozinhos e é importante que a gente entenda que isso vem com coisas boas e ruins. No Brasil a palavra é uma só: solidão. Na Inglaterra, temos duas: loneliness e solitude. A primeira é ruim, a segunda é boa. Uma investigação que podemos fazer é como tornamos o sentimento de nos sentirmos solitários em solidão. Ficar sozinho não precisa ser uma coisa ruim. Porque a internet é baseada em conexão, quanto menos você tem parece que é pior. Mas esses momentos quando estamos sozinhos de uma maneira boa são momentos de pensamentos profundos que podem nos levar a descobertas maravilhosas sobre o que somos capazes de fazer. E pra mim estamos aqui na Terra para descobrir o potencial dentro da gente e crescer e aproveitar para fazer as coisas nas quais somos bons, que nos deixam animados e felizes. Algumas vezes a gente precisa ficar sozinho para descobrir isso. E o que acontece com a internet é que ela está sempre lá, nos chamando.

– Tem um outro livro, “The Information Diet”, que diz que nós estamos ficando obesos não apenas nos nossos corpos, mas em nossos cérebros, devido ao lixo de informação que consumimos. O que você acha disso?

Informação hoje na internet tem que gritar para ser ouvida. Acho que a quantidade de dados que trafega na internet em um mês é de 40 exabyte.

– Eu nem sei o que é um exabyte.

Exatamente. O interessante é que 5 exabytes é número total de palavras ditas pelos seres humanos em toda a história. Oito vezes isso circula na internet todo mês. É astronômico. Para ser ouvido, as coisas precisam gritar. Não é diferente do mundo, onde tem milhões de pessoas que nunca vamos conhecer. O cérebro funciona como uma banda larga doméstica. Não temos como lidar com todos esses dados. Popularizam-se coisas como vídeos de gatos, que são brilhantes. Parece que tudo é muito efêmero. Como eu cultivo solidão na minha vida? A internet é incapaz de responder isso. A velocidade da internet nos desencoraja a pensar mais lentamente. Agora o relógio nos faz pensar em resultados instantâneos. O Google nos dá resultados em frações de segundos. Nós somos encorajados a consumir os dados ruins, mas também a não pausar e resistir e ir procurar outro tipo.

– Me parece que estamos preguiçosos, vivemos numa época em que parece que tudo é o Buzzfeed. Amo o Buzzfeed, mas ninguém lê um texto grande na internet.

Quando lançamos a Wired em Londres, uma publicação impressa, decidimos escrever textos longos, com 4 mil palavras. Eu achava que não ia dar certo, mas se tornou muito popular. A gente queria que as pessoas parassem por 20, 30 minutos e contemplassem, aprendessem alguma coisa. A velocidade também nos deixa preguiçosos para a especulação. Conhecimento vem da especulação, da conversa. Se eu falo pra você que o Azerbaijão é maior que o Cazaquistão, e você diz que não, temos uma conversa. Hoje vamos ao Google e resolvemos a questão muito rapidamente. Paramos de trocar as informações que tínhamos. Podemos até não chegar na resposta, mas na jornada para a resposta, aumentamos nosso conhecimento. Com o Google a gente tem a resposta, mas vamos esquecer no outro dia ou não vamos ter aumentado nosso conhecimento. Sinto falta disso. Quero ser um evangelista da especulação. Quero que as pessoas deixem o Google de lado e investiguem o que têm em suas cabeças.

– Como nós podemos tirar o máximo da internet, de uma boa maneira? Quais são os sites que você costuma checar diariamente?

Não tem nada que eu veja todo dia. O Google eu uso todo dia. Adoro todas as ferramentas deles. Fico muito feliz em dar todos os meus dados para eles em troca dessas ferramentas gratuitas. GDocs, Gmail são coisas incríveis. Eles me ajudaram a pensar melhor, a me organizar, a lidar com colegas. Obrigada, Google! Além disso, amo o Gawker, leio por entretenimento. Amo a Wikipédia, acredito muito nela. O que tento fazer é usar a internet sem usar a internet. Gosto de tirar tempo fora dela, me desconectar. De repente tenho esse tempo incrível em que leio um livro ou uso um pedaço de papel e lápis para colocar meus pensamentos. São sempre tempos melhores.

– Você está no Facebook?

Não. Eu tentei por um mês e detestei. Em princípio não tenho nada contra. Mas velhas informações ficavam aparecendo pra mim, demandando minha atenção. Tenho muitos amigos que eu vejo no mundo real e essas conexões com eles, falando no telefone, indo na casa ou recebendo na minha, são conexões melhores. Eu fazia log in e ficava aterrorizado. Preferi me desconectar, ir pra fora, investigar algo nos meus termos. A ironia é que não fechei minha conta, um pouco tempo depois tive que escrever para um site que estava em beta e eu precisava logar pelo Facebook. Fiz uma página e hoje tenho 0 amigos. Eu sou o loser do Facebook e sou muito feliz com isso.

– Será que temos que criar momentos específicos para usar a internet? Está em tempo de seguirmos uma etiqueta virtual?

Eu odeio quando as pessoas estão olhando para o telefone enquanto estão tendo uma conversa comigo. Eu realmente odeio isso. Parece não apenas rude, mas também meio idiota. Acho que uma das coisas mais bonitas que você pode fazer na vida é dar sua atenção completa a um ser humano, é um ato de amor. E é o que faz a conversa cara a cara tão melhor do que a pelo Skype. Quando estamos na presença de outra pessoa, podemos dar toda a nossa atenção a ela, e eles nos dão de volta. E nós chegamos a um lugar tão mais profundo, que nos preenche, do que quando temos conversas no mundo digital. O que prejudica isso é quando as pessoas são distraídas pelos seus telefones. Um amigo meu lançou uma acampanha em Tel Aviv para deixar os telefones virados pra baixo. Isso está começando a ficar popular por lá. É muito legal pensar: onde está meu telefone agora? O meu está no bolso. E prefiro que as pessoas deixem no bolso ou virado pra baixo, no silencioso. Se não a mensagem fica apitando e você vê os olhos da pessoa procurando. É rude. Sei que pareço um homem velho, mas acho que é rude pra todo mundo, inclusive para um menino de 14 anos. Quando estamos com outra pessoa essa é a pessoa mais importante, não as que estão online.

– Como você organiza sua rotina para dar conta de fazer tudo?

Acredito muito que devemos trabalhar o mínimo possível, da maneira mais esperta que der. Acho que somos capazes de coisas maravilhosas, mas, especialmente no trabalho, fazemos com que ele dure muito mais. É o sistema. Nós pagamos as pessoas por hora, dia, mês. Elas não são encorajadas a trabalhar com rapidez, mas sim devagar. Eu trabalho pra mim. Se alguém me pede pra fazer uma coisa, é uma vantagem se eu fizer rapidamente. Quanto mais espaço você tem na sua vida, mais coisas boas acontecem. Eu tomei uma decisão há alguns anos de trabalhar menos, ganhar menos e gastar menos. Vivo confortavelmente, não sou um milionário. Entre os meus amigos, provavelmente, sou o que ganha menos, mas sou o que tem mais tempo. E pra mim essa troca foi bonita. Como resultado, quando trabalho, faço isso de maneira esperta e satisfatória para mim e para as outras pessoas.

Em casa, meu ritmo. Descobri recentemente que gosto de acodar cedo. Vou para cama às 22h30, acordo às 7h. Sou inglês, preparo um chá, levo meu laptop pra cama, passo umas duas horas, faço o primeiro turno de emails. Escrevo alguma coisa. Está tudo calmo lá fora, não tem ninguém por perto. Como resultado, a maioria das coisas que preciso fazer estão acabadas às 9h. Gosto de, todo dia, estar em um lugar analógico. Gosto de nadar em água fria num lugar aberto. Pego minha bicicleta. Tem água, floresta, pássaros, é o oposto da internet, é analógico. E gosto de passar tempo nesse mundo. Quando volto, faço o segundo turno de emails e o dia chega ao fim. Em escritórios nós perdemos tempo. Não precisamos ser escravos. Especialmente pessoas que todos os dias ficam até tarde no trabalho. Eu não acredito que elas tenham tanto para fazer todos os dias.

– Quem são suas inspirações?

Eu me inspirei em mim mesmo. Trabalhei para duas empresas de relações públicas em Londres, nos anos 1980, numa época yuppie, de “work hard, play hard”. Saí da empresa, tive que entender como funcionava a vida de alguém que se emprega. E me dei conta de que o meu tempo era muito importante. Fiz um trabalho com uma consultoria sobre gerenciamento de tempo. Comecei a pensar em qual é o ponto de estarmos no mundo. E sempre fui atraído por pessoas que vivem de um jeito mais simples, que têm um propósito. Mais do que as pessoas que ostentam. Por necessidade, sem dinheiro, entendi que precisava fazer alguma coisa boa com o meu tempo. E depois se mostrou um valor viver assim. Sou religioso, judeu, tem um profeta que diz: você pergunta o que é ser bom. E eu digo: você deve procurar a justiça, amar a misericórdia e andar humildemente com o seu Deus. Gosto de andar humildemente.

– Você tem um mantra de vida?

Nunca deixe de ser curioso. Existem coisas maravilhosas lá fora prontas para serem descobertas.

Créditos das imagens: 1) The School of Life; 2) do Pinterest; 3) Julien Mauve; 4) Daniela Arrais; 5) Tim Barber.